Preconceito Linguístico

Enviada em 25/09/2019

O linguista e filólogo Marcos Bagno publicou, no ano de 1999, o livro “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”. Segundo o autor, a língua é completamente flexível e mutável. No entanto, a sociedade brasileira é preconceituosa quanto ao exercício de expressão, pois faz dele um mecanismo velado de exclusão social e desrespeito às demais pessoas, sem observar que ocorreram várias mudanças na comunicação.

A priori, milhares de brasileiros são excluídos socialmente pelo seu modo de falar e se expressar. Dessa forma, cidadãos que fogem ao padrão formal e culto são consideradas inferiores, associando o adjetivo negativo à própria pessoa. Isso é retratado na obra “Vidas secas” de Graciliano Ramos, na qual o personagem Fabiano, provedor de sua família, deixa-se enganar pelo patrão por não se julgar apto a contestá-lo, já que não domina a língua padrão.

Outrossim, brasileiros que não falam de acordo com a norma culta são discriminados, sendo que muitas palavras consideradas erradas em certo tempo, depois são inseridas ao padrão da norma culta. Desse modo, basta voltar para o séc. XIX, e ver que a literatura parnasianista usufruía de vocábulos mais rebuscados e muito formais, que dificultavam a compreensão. No entanto, analisando que o importante era se fazer entendida, a sociedade fez naturalmente uma seleção natural, indo ao encontro da teoria do biólogo Charles Darwin, a qual relata que as espécies se modificam com o passar do tempo e com influência do ambiente.

Diante do cenário, é mister o combate ao preconceito da comunicação. Por isso, o Ministério da Educação deve incluir o estudo das variedades linguísticas à disciplina de português para que todos aprendam desde a infância que a língua falada vai além da gramática normativa. Além disso, os professores devem ser orientados a trabalhar com a importância histórica dos diferentes modos de falar para a constituição da língua. Com debates, feiras culturais e outras atividades lúdicas para alunos e familiares será possível conscientizar a todos e combater esse preconceito.