Preconceito Linguístico

Enviada em 26/09/2019

No universo da Turma da Mônica criado por Maurício de Souza, há a personagem Chico Bento, garoto do interior que vive uma vida bucólica e simplória. De acordo com as histórias descritas nos gibis de Chico, o caipira frequenta a escola para que possa aprender a ler e escrever. Entretanto, há inúmeras tiras da história em quadrinho em que Chico Bento interage com a professora e utiliza sua linguagem rural. A professora tenta corrigí-lo ao dizer a frase da maneira correta, porém Bento não entende o porque e interpreta as frases da personagem de maneira diferente. Dessa forma, Maurício de Souza critica o preconceito linguístico real que indivíduos brasileiros sofrem.

Ou seja, o preconceito linguístico é resultado da comparação e correção inadequada entre o modelo de norma padrão e a língua que realmente é dita pela população brasileira, que difere entre fatores como contexto histórico, grau de instrução, região entre outros. Outrossim, a linguagem formal brasileira foi idealizada aos moldes gramaticais latinos, mas também ao modelo português europeu do século XIX. Por conseguinte, torna-se improvável que um cidadão de conhecimento comum possa se comunicar de acordo com todas normas e regras em seu cotidiano, pois descrevem uma língua ultrapassada e utópica; não está em conformidade com o Brasil moderno.

Ademais, o principal exemplo deste tipo de preconceito no país está na comparação que é feita entre pessoas de classe média, de áreas mais desenvolvidas com indivíduos de outras classes sociais, regiões entre outros. Dessa maneira, os preconceitos criados não possuem fundamento algum, porém se enraizaram como estereótipos na sociedade brasileira. Há como exemplo o povo sertanejo, que é caracterizado pelo restante do país como “ignorante” e “burros”. Consequentemente, esse tipo de comportamento segrega a comunidade brasileira cada vez mais.

Portanto, é necessário que a Academia Brasileira de Letras (ABL) se reúna com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para que seja criado um protocolo em que variações linguísticas do português sejam aceitas independente de sua origem ou grau de erudição. No que tange o fato interior, deverá ser aceito por todos os países falantes da língua portuguesa. Também, precisará ser criado pela ABL, CPLP e a Secretaria de Especial de Comunicação Social (SECOM) cartilhas informativas sobre o discriminação linguística que serão distribuídas em canais de mídia no país. Assim, o preconceito linguístico poderá ser erradicado do Brasil.