Preconceito Linguístico

Enviada em 26/09/2019

O escritor brasileiro Carlos Drummond de Andrade em seu poema “Aula de Português”, critica, vertiginosamente, os padrões linguísticos impostos no território nacional. No entanto, a sociedade brasileira é preconceituosa quanto ao exercício de expressão, pois faz dele um mecanismo velado de exclusão social e desrespeito às demais pessoas, sem analisar que ocorreram várias mudanças na comunicação historicamente.

A priori, muitos brasileiros são excluídos socialmente pelo seu modo de falar e se expressar. Dessa forma, cidadãos que fogem ao padrão formal e culto são consideradas inferiores, associando o adjetivo negativo à própria pessoa. Isso é retratado na obra “Vidas secas” de Graciliano Ramos, na qual o personagem Fabiano, provedor de sua família, se deixa enganar pelo patrão por não se julgar apto a contestá-lo, uma vez que não domina a língua padrão.

Outrossim, cidadãos que não se expressam de forma culta são considerados incapazes, pois quem tem o hábito de falar corretamente se julga superior. No entanto, convém ressaltar que no séc. XIX, a literatura parnasianista usufruía de vocábulos mais rebuscados e muito formais, que dificultavam a compreensão. Desse modo, ao observar que o importante era se fazer compreendido, a sociedade fez naturalmente uma seleção natural, de forma que um exemplo foi a palavra “vossemecê” que, hoje em dia, está em desuso, e o termo com mesmo sentido é “você”.

Diante do cenário, é necessário o combate ao preconceito da comunicação. Por isso, o Ministério da Educação deve incluir o estudo das variedades linguísticas à disciplina de português para que todos aprendam desde a infância que a língua falada vai além da gramática normativa. Além disso, os professores devem ser orientados a trabalhar com a importância histórica dos diferentes modos de falar para a constituição da língua. Com debates, feiras culturais e outras atividades lúdicas para alunos e familiares será possível conscientizar a todos e combater esse preconceito.