Preconceito Linguístico

Enviada em 27/09/2019

Sons do preconceito

Desde 1532, com o inícios da colonização brasileira, portugueses entraram em contato com a língua indígena tupinambá. A partir disso, jesuítas, na tentativa de catequizar esses povos, passaram a aprender o dialeto e, então, iniciaram uma correspondência com o português. No entanto, a imposição da cultura lusófona ocorreu de forma significativa, o que contribuiu para o desaparecimento e desvalorização de línguas nativas, e para a oficialização, em 1826, da Língua Portuguesa como a nacional.Diante desse cenário de pluralidades étnico-raciais, preconceitos surgiram, dentre ele os relacionados à gramática normativo-fonética. É necessário, portanto, um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os erros existentes sejam sanados.

Sobre esse viés, consolida-se o pensamento de Marcos Bagno no que cerne a ser necessário respeitar as variações linguísticas (diastráticas, diatópicas,diafásicas e diacrônicas), com o objetivo de construir uma sociedade tolerante. Isso,no Brasil, não ocorre,porque,nas escolas, preza-se pelo ensino das regras gramaticais, o que provoca a exclusão das diversas formas expressivas possíveis à língua, como o “nois vai” utilizado, geralmente, pelas classes sociais mais baixas do país. Por consequência, a identidade de muitos grupos acaba desvalorizada e apagada da Língua Portuguesa.

Convém ressaltar,também, a ideia de François Héritier, sobre a intolerância iniciar em restringir as verdades individuais como as únicas possíveis para a situação, visto que o censo de superioridade existente entre os brasileiros de maior poder aquisitivo, com relação ao resto da população, ocasiona preconceitos, sobretudo linguísticos. Nessa perspectiva, há uma tentativa de imposição da norma culta a todas as pessoas e contextos, o que culmina em ridicularizar as variações da língua e desconsiderá-las como parte do dialeto oficial brasileiro, o português.Isso reflete, muitas vezes, a baixa qualidade educacional oferecida no país, baseado na conjuntura de que este não propicia o conhecimento acerca dos preconceitos fonéticos existentes, que, por sua vez, acabam como inexistentes.

Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos erros existentes.Cabe, portanto, ao Ministério da Educação a redefinição da Base Nacional Comum Curricular, com o acréscimo da obrigatoriedade de atividades, nas instituições educacionais,sobre expressividade e preconceitos linguísticos; e ao Ministério Público a criação de campanhas publicitárias no Instagram e na televisão, explicitando o respeito às variações da língua existentes, com o objetivo de informar e educar a população. Assim, o Brasil caminhará para a integridade e consagração da diversidade cultural e social.