Preconceito Linguístico

Enviada em 27/09/2019

A Constituição Brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante o respeito a diversidade linguística e cultural, sendo ilegal qualquer forma de preconceito. No entanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática. Isso se evidencia não só na negligência da escola em ensinar as diversas linguagens, como também na falta de respeito e bom senso com pessoas que não falam de maneira culta.

Em primeira instância, é importante ressaltar que o setor educacional tem limitado o seu ensino na gramática normativa, mesmo com tantas variantes no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o país tem 180 línguas e libras é a segunda oficial. Contudo, a educação continua restrita à linguagem formal, sendo essa fundamental, mas não mais que as outras. Por conseguinte, surge o preconceito com as outras formas de falar, e a sociedade torna-se intolerante. Como dizia Eli Pariser, as pessoas não sabem lidar com o diferente por serem doutrinadas a viverem em suas bolhas. Logo, é de suma responsabilidade das escolas ensinar que as divergências devem ser respeitadas e compreendidas.

Ademais, convém analisar ainda o crescente número de apelidos pejorativos para rotular pessoas que não falam na forma normativa. Segundo o professor e escritor Marcos Bagno, é inadmissível conviver com o preconceito linguístico em uma sociedade com tanta pluralidade. Nesse viés, é notória a falta de compreensão e aceitação do tecido social por formas que divergem o padrão. Tendo em vista que muitos grupos sociais excluem pessoas que usam uma linguagem distinta. Além do mais, indivíduos são estereotipados com uma imagem que se baseia na análise de sua língua. Exemplo disso é a imposição da sociedade em que todo intelectual deva falar a forma culta, médicos usarem termos científicos e moradores de ruas a forma coloquial. Torna-se evidente o equívoco da comunidade em definir parâmetros em tamanha variedade.

Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas para dirimir o prejulgamento e a intolerância no contexto linguístico. Cabe ao Ministério da Educação em consonância com as escolas inserir disciplinas curriculares que ensinam as variedades linguísticas, além do ensino obrigatório de libras por professores especializados na área, assim, os discentes aprenderão a importância da transição nas diversas formas de linguagem. Por fim, deve fornecer palestras abertas para os pais e filhos a fim de tratar sobre o respeito às diferenças e ressaltar que procurar entendê-las é fundamental. Dessa forma, a geração futura não terá os mesmos erros que a atual.