Preconceito Linguístico

Enviada em 30/09/2019

No começo do século XVI, os portugueses começavam a colonização do Novo Mundo, que viria a se tornar o Brasil. Tal fato possibilitou a interação de diversas nacionalidades em território brasileiro -nativos indígenas, portugueses, africanos, espanhóis, entre outros-, o que gerou uma cultura miscigenada que contem diversos dialetos e sotaques, todos igualmente importantes. Ainda assim, há uma noção equívoca de superioridade, herdada também da colonização, que gera o preconceito linguístico.

Em 1500, Pero Vaz de Caminha narrava em uma carta o primeiro contato entre os nativos e os portugueses. Uma das análises feitas foi a ausência das letras F, L e R e a dedução da existência de uma sociedade sem fé, nem lei, nem rei; pouco depois disso inicia-se a colonização como, entre outras justificativas, um processo de salvação desses indígenas, do ponto de vista dos portugueses, baseando-se no pressuposto de que Portugal era uma nação superior. A partir desse momento, e perdurando até hoje, é possível perceber o preconceito, que pode ser explicado pela teoria da Violência Simbólica de Pierre Bordieu, a qual discorre sobre a diferença de capital simbólico - construído nos valores da sociedade - entre duas pessoas e sobre como uma delas pratica violência psicológica por se considerar superior.

Inegavelmente, as discriminações vão mudando com o passar do tempo para se adequar à língua, que está em constante transformação. Na contemporaneidade, a ordem predeterminada é de que falar de acordo com a gramática normativa é o certo e quem desvia desse padrão está errado e pode virar alvo de chacota ou até mesmo violência. Porém este preconceito é infundado visto que o objetivo da língua é estabelecer a comunicação entre pessoas e, se houver compreensão da mensagem, o código é irrelevante, mesmo que ele esteja em desacordo com a normatividade. Certamente, o contexto é importante e diferentes círculos sociais têm linguagens diferentes e mais apropriadas para cada um, bem como cada região do país tem um dialeto diferente e os grupos de idade diferentes também usam diferentes gírias, mas os diferentes modos de falar devem ser valorizados e não rechaçados.

Assim sendo, faz-se necessário que o Ministério da Educação, em parceria com governos estaduais, crie campanhas de celebração das diferenças linguísticas através da panfletagem, em escolas públicas e privadas, e de propagandas na rede televisiva nacional, visando explicar o que é o preconceito linguístico, conscientizar sobre ele e minimizá-lo de modo a criar um país mais harmonioso.