Preconceito Linguístico
Enviada em 24/10/2019
Na poesia ‘‘Vício da fala’’, Oswald de Andrade, escritor modernista, evidencia a normalidade e importância da variedade linguística nas diferentes regiões brasileiras. Apesar do Brasil possuir uma grande diversidade no modo de falar, é fato que ocorre, intensamente, a discriminação contra pessoas que não seguem a norma culta da língua. Indubitavelmente, essa negligência está intrinsecamente ligada à exacerbada concepção do fonocentrismo formal que corrobora para o preconceito contra o coloquialismo linguístico. Diante disso, torna-se premente a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento a sociedade.
Em primeiro lugar, é lícito referenciar a obra ‘‘Novo mundo dos trópicos’’, do polímata Gilberto Freyre, que relata a formação do português brasileiro por meio da miscigenação de etnias que originaram as variedades no modo de falar. Acerca dessa premissa, os grupos que constituem a sociedade brasileira, guiados por uma visão etnocêntrica, não respeitam as variedades linguísticas, isto é, principalmente, a regionalista e socioeconômica. Por conseguinte, o choque entre as etnias provoca não só a estranheza do linguajar diferente, mas também a discriminação. Exemplo disso, foi a catequização dos indígenas pelos jesuítas que não aceitavam a linguagem tupiniquim. Assim sendo, torna-se imprescindível a atuação dos órgãos educacionais para inibir esse preconceito.
Ademais, é fulcral pontuar que a ideologia de superioridade da norma culta ocasiona o preconceito contra o coloquialismo linguístico. Nesse sentido, é indedutível que o formalismo tanto na escrita como na fala é primordial em ambientes específicos, além de ser essencial no processo educacional da população. No entanto, esse pressuposto não deve ser utilizado como meio de legitimar o preconceito contra a linguagem coloquial, em geral. Seguindo essa linha de raciocínio, o historiador Nicolau Maquiavel sustenta a ideia de que o preconceito tem mais raízes do que princípios. Dessa forma, mudanças nos valores da sociedade fazem-se fundamentais.
Portanto, é inquestionável que o Brasil é um país com uma grande diversidade linguística, no entanto a visão preconceituosa relacionada ao cumprimento das normas gramaticas, driscrimina determinados grupos sociais. Logo, cabe ao Ministério da Educação e Cultura, por meio do marketing, divulgar em áreas de grande circulação, como redes sociais, a importância das variedades linguísticas e sua construção ao longo dos séculos. Além disso, é necessário uma mudança na Base Nacional Comum Curricular que ensine nas aulas de Língua Portuguesa não só seguir a norma culta, também fundamentar nas aulas o respeito às variedades linguísticas e sua influência na cultura brasileira. Possivelmente, dessa forma, o Brasil alcançaria o respeito entre os povos de diferentes linguajas.