Preconceito Linguístico

Enviada em 01/10/2019

De acordo com a Constituição Federal de 1988, todo cidadão tem direito à liberdade e bem-estar social, assegurados pelo Estado. Contudo, o preconceito advindo da variação linguística, no Brasil, priva a população desses direitos tão básicos, visto que essa sofre com a discriminação, e consequente exclusão, dentro de seu próprio país.

De fato, a extensão territorial brasileira apresenta dimensões continentais, diante disso, é evidente a diferença cultural e linguística entre uma região e outra. Entretanto, ainda que essas singularidades sejam naturais, costuma-se encontrar grandes julgamentos no “oxê” mineiro, no “tu” catarinense, no “tchê” gaúcho, no “leiti quenti” paulista e no chiado carioca. Em consonância, segundo o ativista americano Martin Luther King, “quem aceita o mal sem protestar, coopera com ele”. Obliquamente, essa é a realidade brasileira, na qual os cidadãos do mesmo país, ao invés de manifestarem acolhimento pelas variantes linguísticas, exprimem preconceito e exclusão.

Atrelado a isso, o artista Maurício de Sousa, ao escrever as histórias da Turma da Mônica, cria personagens que se destacam por regularmente sofrerem preconceitos linguísticos - entre os principais se encontram Cebolinha, que padece do rotacionismo do “R” pelo “L”, e Chico Bento, morador do interior com dialeto caipira. À face do exposto, a inserção dessas personalidades em um conto infanto-juvenil é de suma importância para a quebra do estereótipo da gramática perfeita na fala, sendo a discriminação uma problemática que não deve ser menosprezada, tendo em vista que atinge milhares de brasileiros.

Assim, é crucial a intervenção no que diz respeito ao preconceito linguístico. Logo, o Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Educação, deve inserir, por meio de mudanças na grade curricular do Ensino Fundamental II, a disciplina “Sociedade Brasileira”, na qual assuntos culturais e sociais serão discutidos pelas crianças, a fim de ensina-las a importância da variação da língua portuguesa para a identidade do Brasil. Ademais, a mídia deve publicar campanhas em redes sociais que ressaltem a normalidade das discrepâncias dialéticas. Pois, somente com isso os cidadãos usufruirão de seus principais direitos, como previsto pelo Constituição Federal.