Preconceito Linguístico
Enviada em 01/10/2019
Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, ainda que cada sujeito possua sua individualidade, esta se entrelaça no contexto social dos diversos grupos e instituições das quais participa. Ao considerar esse olhar como ponto de partida para a discussão acerca do preconceito linguístico, é notório a influenciação das peculiaridades por atores sociais como problematizador do tema. Torna-se pontual, nesse contexto, não apenas questionar como a imposição de padrões por certos grupos institucionaliza esse preconceito, mas também analisar seus impactos no organismo social.
Em primeira observação, cabe compreender o papel de certos grupos sociais na hierarquização da língua. Atesta-se, assim, a ideia de Bourdieu, pois, a medida que esses grupos agem sobre a sociedade, há uma reconfiguração de suas peculiaridades. Por meio desse raciocínio, constata-se o fator histórico brasileiro como precursor desse preconceito, em razão da repressão desde o Brasil colônia com a miscibilidade da língua considerada pura, a portuguesa, com outras variantes de povos que chegavam aqui. Dessa maneira, observa-se a influência sobre as peculiaridades, como dito pelo sociólogo, na medida em que variações do português eram reprimidas. É evidente, pois, a importância do aparelho judicial brasileiro atenuar esse comportamento danoso.
Paralelamente à questão institucional, outro ponto relevante, nesse cenário, é como o contexto pós-moderno dificulta o combate ao tema. Evidencia-se, portanto, a ótica de Zygmunt Bauman, pois, em sua obra “O mal-estar na pós-modernidade”, o pensador advoga que o indivíduo contemporâneo age de maneira irracional por ser vitimado pela cegueira moral. Isso significa que a sociedade não alerta seus indivíduos para reconhecerem as diversidades como enriquecedoras da nação como um todo e do aspecto cultural brasileiro, não se mobilizando para o combate a essa supressão velada dos aspectos linguísticos nacionais, dificultando, assim, o sentimento de pertencimento ao Brasil por certos grupos marginalizados nesse aspecto. Configura-se como determinante, então, a ressignificação de valores sociais no que tange ao tema, de modo a fortalecer as relações sociais.
Evidencia-se, diante do exposto, a necessidade de medidas serem implantadas para mudar o quadro atual. A princípio, é fundamental que o Ministério da Justiça fomente e enrijeça o rigor das leis que criminalizam o preconceito linguístico, como por meio da criação de um órgão específico para o tema que fiscalize e conduza essas ocorrências, inibindo, por conseguinte, o fortalecimento dessa prática. Ademais, cabe ao Ministério da Educação a criação de uma nova diretriz educacional que, ao ser implantada desde a primeira infância, valorize as diversidades linguísticas por meio de debates, palestras e teatros, de modo a facilitar essa assimilação e promover essa variedade como benéfica a sociedade. Com essas iniciativas, espera-se que o entrelaçar entre os agrupamentos sociais, proposto por Bourdieu, possa conduzir a relações mais humanizadas.