Preconceito Linguístico

Enviada em 21/10/2019

É fato que, na sociedade em que vivemos, é extremamente exigido dos cidadãos o domínio das normas culta e gramatical em lugares que variam desde ao ensino fundamental escolar até à carreira profissional no mercado de trabalho. Em um ambiente como esse, é comum a população geral concluir que o nível de cultura de um indivíduo e a formalidade de sua fala e escrita estão diretamente relacionados. Nesse sentido, é necessário analisar a atual presença do que chamamos de preconceito linguístico.

O preconceito começa no ensino fundamental, onde desde crianças somos instruídos a seguir as normas gramaticais em todas as avaliações escolares, e somos penalizados por não proceder de tal maneira, isso dá ao aluno a ideia de que sua inteligência e cultura é limitada pela sua maestria gramatical, o que não é o caso. Marta Scherre, em um artigo da Revista Galileu, comenta: “Ninguém tem o direito de exercer assédio linguístico. Ninguém tem o direito de causar constrangimento ao seu semelhante pela forma de falar.” Entretanto, tal método de ensino nos faz crer no contrário.

É importante que a escola ressalte aos alunos, tanto aos do primeiro quanto do segundo grau de ensino, que o domínio do conhecimento da norma culta é sim importante para o ensino do indivíduo, que há vários momentos onde ele é necessário, como na escrita de leis, artigos científicos e reportagens. Todavia, o vocabulário local também é cultura, diferentes indivíduos de diferentes estados do mesmo país terão cada um o seu vocabulário adaptado de acordo com a região na qual vivem, além disso, a informalidade é a base das relações sociais, seja na escola, no trabalho, ou em locais de lazer. Como diz Sócrates: “O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar o seu caráter.” Ou seja, as pessoas não devem ser pré-julgadas pela sua cultura, ou apenas pelo seu modo de se expressar, afinal, as pessoas passam a ser um conjunto de virtudes.

Em vista disso, sugere-se que as escolas, através de oficinas e mudanças na maneira na qual apresentam esse tópico aos alunos, relevem que, a informalidade e o vocabulário local fazem parte tanto da cultura quanto do dia a dia da população, e que a norma culta é essencial para a construção da qualidade de vida do indivíduo, mas não o torna superior aos outros. Aplicando assim uma ação contra o preconceito linguístico. Visando o mesmo objetivo, também é válido uma mudança na mentalidade dos professores e profissionais de diversas áreas para que transmitam melhor a importância de uma boa base de conhecimento, sem desmerecer a parte cultural. Assim, observa-se uma população cada vez mais distante do preconceito neste ambito.