Preconceito Linguístico
Enviada em 07/10/2019
Hannah Arendt em uma de suas obras discorreu sobre “as banalidades do mal”, conceito que consiste na indiferença das pessoas diante de problemas aparentemente irrelevantes. De maneira análoga, o preconceito linguístico existente no Brasil, sobretudo nas escolas pode ser comparado à teoria da pensadora, pois parte dos brasileiros ignoram as diversas variantes linguísticas existentes no país. Nesse sentido, a problemática se insere na imposição da gramática normativa como única correta.
A princípio, é valido salientar que a utilização de uma única gramática considerada “certa” mascara todas as outras variantes do país. Frente a isso, cabe citar o Mito da caverna de Platão, em que um grupo de pessoas vivia acorrentado em uma caverna onde só enxergavam sombras. Paralelo a isso, o preconceito linguístico se assemelha a esta caverna, uma que vez que a imposição da gramática normativa configura-se como a sombra, sendo esta a única enxergada pelos brasileiros, de modo que todos os outros tipos de línguas e formas de falar são ignorados e desrespeitados, tendo em vista o desconhecimento das diversas variações.
De outra parte, a omissão do Estado configura-se como um impasse ao problema. Nesse contexto, John Locke construiu a tese de que os indivíduos cedem sua confiança ao Estado, que, em contrapartida, deve garantir direitos aos cidadãos. Ocorre que a ideia de Locke está distante de ser a realidade no atual cenário, haja vista a falta de iniciativa das autoridades em garantir a segurança e integridade dos falantes brasileiros. Seja por não garantirem um ambiente escolar múltiplo, onde todas as formas e variantes são aceitas ou por não promoverem políticas públicas e leis suficientes acerca do preconceito linguístico. Assim, o desrespeito à multiplicidade da língua brasileira tende a crescer e, por conseguinte o aumento do preconceito linguístico e da segregação social nas escolas.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para a promoção de uma maior multiplicidade do ensino da língua. Para isso, o Governo, deve atuar sobre a rede escolar, de modo a promover o ensino das variantes linguísticas, por meio de atividades interdisciplinares integrando todos os alunos e informando as constantes transformações da língua, para que assim o uso de apenas uma gramática acabe. Além disso, a mídia pode criar campanhas publicitárias que informem a importância do respeito a todos os falantes e suas variações. Por fim, as escolas e universidades podem promover projetos e estudos acerca das distintas formas de falar existentes no país com a finalidade de sanar todos os tipos de preconceitos em torno da língua.