Preconceito Linguístico

Enviada em 07/10/2019

A cinebiografia ‘‘Raízes do Brasil’’, de autoria de Sérgio Buarque de Holanda, baseada no livro de mesmo nome, procurou compreender a população brasileira a partir de seus pilares europeus, africanos e nativos. Todavia, apesar da constatação dessa diversidade no país, nem todas as diferenças são aceitas socialmente. Exemplo disso, é o indubitável preconceito contra falas desviantes da norma padrão. Nesse sentido, urge a análise das principais causas dessa problemática.

A priori, a escola deslegitima a pluralidade linguística. Embora a primeira fase do modernismo tenha introduzido a cultura popular na literatura, esse ideal não foi aplicado ao ensino. Pelo contrário, nas salas de aula transmite-se apenas a restrita norma culta, a qual ignora a tendência natural de transformação da língua. Dessa forma, cria-se um ambiente excludente, no qual, desde a infância, a fala da criança que não possui conformidade com o padrão gramatical, é vista como errada. Em resumo, cria-se um terreno propício à discriminação.

Em adicional, o preconceito linguístico e reflexo de outros presentes na sociedade. Por certo, o acesso à uma educação de qualidade e o hábito de consumir livros é, majoritariamente, pertencente às classes mais altas. Assim, os indivíduos com menor contato com o português formal, e consequentemente, destratados por não usarem-o na fala, são de grupos mais carentes. Esses, os quais já são marginalizados por suas origens humildes. Em seu livro ‘‘Preconceito Linguístico’’, o professor Marcos Bagno defendeu a desmistificação da existência de uma unidade linguística, a fim de conscientizar a população. No entanto, grupos que já são oprimidos seguem carregando o alvo da discriminação devido ao seu modo de expressar-se.

Portanto, é necessária a reversão desse retrato de preconceito linguístico, Cabe ao Ministério da Educação tendo em vista sua responsabilidade em direcionar verbas à esta área capacitar os professores do ensino fundamental, por meio da criação de cursos de pós graduação nas universidades, que tornem os mestres aptos a liderem com a variedade da oralidade. Visa-se, por conseguinte, assegurar a existência de um aprendizado inclusivo. Outrossim, a mídia deve promover campanhas de conscientização contra esse tipo de discriminação. Dessa maneira, a diversidade apresentada em ‘‘Raízes do Brasil’’ será respeitada.