Preconceito Linguístico
Enviada em 07/10/2019
Segundo o professor e gramático Celso Cunha, “Nenhuma língua permanece a mesma em todo seu domínio e, ainda num só local, apresenta um sem-número de diferenciações.”. Neste sentido, é evidente que a linguagem é uma unidade mutável, e que ao longo do tempo passa por infinitas transformações. No entanto, em meio a tantas variações existe o preconceito linguístico, o qual, tem se tornado preocupante no Brasil, uma vez que, é motivo de discriminação e exclusão social, por isso é necessário ser combatido.
Em primeiro lugar, é incontestável que o português abrange uma variedade de dialetos, gírias e sotaques, que se modificam dependendo do contexto histórico, da região ou classe social. De acordo com o professor Evanildo Bechara, “Um falante deve ser poliglota em sua própria língua”. Posto isso, podemos afirmar que, não se deve discriminar nenhuma variante da língua, mas admitir que todas elas são inerentes, dado que, não existe “certo” ou “errado” na avaliação de uma determinada variedade linguística, mas sim, se a variedade em questão é adequada ou não à situação comunicativa em que ela se manifesta.
Outrossim, é evidente que o fato de existir uma norma padrão, faz com que as demais sejam desprestigiadas, o que gera o preconceito e reprova tudo que se diferencie desse modelo. Apesar de ser fundamental uma regra que regulamente a escrita, a mesma acaba sendo um instrumento de exclusão entre aqueles que possuem um maior nível de escolaridade e daqueles que não têm, que acabam tendo um vocabulário mais informal e de menor prestígio. Com isso, os indivíduos discriminados tendem a ser excluídos socialmente, e sendo vistos de forma estereotipada, sendo motivo de riso ou de chacota.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para combater a intolerância. Assim, cabe as escolas, desde o ensino primário, a abordagem profunda em relação a língua portuguesa, além de explorar todas as variantes da mesma, afim de, ensinar que todas as maneiras de se falar o português é inerente. Ademais, a mídia deve abordar o tema sem estereótipos, e de forma educativa, mostrando a importância de ser um conhecedor das variações da linguagem. Espera-se, com isso, que o Brasil se torne um país livre do preconceito.