Preconceito Linguístico
Enviada em 07/10/2019
Brás Cubas, defunto-autor de Machado de Assis, diz, em suas “Memórias Póstumas”, que não teria filhos, a fim de nunca ter de transmitir os legados das misérias humanas. Analogamente, a prenoção a partir de diferenças entre indivíduos e a segregação social por meio de dissemelhanças linguísticas realizada pelo ser humano, enquadram-se no posicionamento da personagem, uma vez que se constituem como desafios a serem superados para mitigar o preconceito linguístico. Assim, é necessário discutir os aspectos políticos e sociais da questão, em prol do bem-estar social.
Convém ressaltar, em princípio, que a prenoção realizada pelo ser humano é um fator determinante para a persistência do problema. A esse respeito, a Universidade do Texas realizou um estudo no qual vestiu diversas crianças com camisas de duas cores diferentes de forma aleatória, o teste concluiu que os indivíduos preferiam socializar com aqueles que tinham a camisa de mesma cor. Nesse sentido, o preconceito linguístico é consequência da separação dos indivíduos por grupos baseados em semelhanças, as pessoas que se enquadram em uma determinada classe se isolam daqueles que pertencem a outros agrupamentos.
A posteriori, é substancial discutir a forma como a língua é utilizada para segregação social. O livro Preconceito Linguístico, escrito por Marcos Bagno, retrata como a fala é utilizada para separar os seres humanos de uma mesma sociedade, sendo julgado o caráter e conhecimento das pessoas por meio de sua linguagem. Nessa lógica, a forma como o indivíduo se comunica é um fator determinante para a sua posição na sociedade, tendo em vista que, pessoas que se expressam de forma considerada errônea são pré julgadas equivocadamente como menos incapazes com relação àqueles que se comunicam dentro da norma culta, atrapalhando principalmente a vida profissional das pessoas que são julgadas de forma imprecisa.
Dessa forma, medidas exequíveis são necessárias para contem o avanço do preconceito linguístico no Brasil. Com o intuito de unir os indivíduos separados pela prenoção e para que a língua não seja utilizada como arma para a segregação social, urge que o Estado, especificamente o Ministério da Educação e Cultura (MEC) desenvolva, por meio de verbas governamentais, aulas e palestras em escolas e universidades, demonstrando as diversas formas de comunicação ao redor do país, cabendo ao professor de língua portuguesa a responsabilidade de apresentar o tema e desenvolver o raciocínio dos jovens para que cheguem a conclusão de que todas as variedades linguísticas apresentam a mesma importância. Dessa maneira, a sociedade irá tornar-se mais justa e coesa, e deixará um legado que Brás Cubas se orgulharia em transmitir.