Preconceito Linguístico

Enviada em 07/10/2019

“Havia uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho havia uma pedra”. Analogamente ao poeta modernista Carlos Drummond de Andrade - que, a partir do trecho supracitado, revela que encontra obstáculos em sua trajetória -, a sociedade brasileira apresenta empecilhos em seu caminho rumo a uma convivência social sadia e pacífica, dos quais é possível destacar o preconceito linguístico entre classes. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que corroboram a problemática.

Em primeira análise, o processo de construção do Estado brasileiro foi marcado por uma intensa desigualdade social entre classes - pautada tanto em uma questão financeira, quanto em uma questão racial -, o que impossibilitou a igualdade de oportunidades para todas as pessoas. Nesse sentido, encaixa-se o conceito Mimético, de Aristóteles, que afirma que o indivíduo é uma reprodução de ideias e ações prezadas em seu meio social. Assim, aqueles que pertecem a classes sociais mais privilegiadas reproduzem o preconceito herdado de gerações passadas, enquanto aqueles menos favorecidos permanecem com uma linguagem mais pobre e limitada.

Paralelamente, o Estado brasileiro possui o dever de assegurar a educação para todos os cidadãos, como é previsto pelo artigo 205 da Constituição Federal. No entanto, a partir de análise do quadro atual do país, é visto que tal premissa é infringida, uma vez que um número considerável de brasileiros ainda não teve acesso ao processo do letramento. Segundo o IBGE, ainda há cerca de 12 milhões de pessoas analfabetas no Brasil.

Em suma, no intuito de promover uma convivência salutífera, faz-se necessário que o Governo Federal promova a criação e o financiamento de programas sociais mais amplos, no intuito de levar instituições educacionais às periferias, além de propiciar incentivos esportivos, nos quais a prática de esportes está condicionada à leitura de livros, como acontece em escolas de surf no litoral cearense. Soma-se a isso a ação do Ministério da educação para a difusão de livros da literatura brasileira, como O Urupês, de Monteiro Lobato, que mostre realidades semelhantes à de Jeca Tatu, caipira com pouca escolaridade que sofre preconceito da sociedade.