Preconceito Linguístico
Enviada em 08/10/2019
Na obra Vidas Secas de Graciliano Ramos, o retirante Fabiano é discriminado por não se adequar à norma-padrão da língua. Fora da literatura, por mais que a história brasileira seja categoricamente marcada pela diversidade cultural, esse panorama nefasto de “Apartheid linguístico” ainda se perpetua. Nesse sentido, o ensino de um Brasil diverso é preponderante para a consolidação de uma mentalidade nacional.
Em primeira análise, é necessário ressaltar o prejuízo do ensino restrito à variante padrão nas instituições de ensino. Conforme o filósofo Immanuel Kant, a educação molda os homens. A esse respeito, a não valorização das variantes regionais do português do Brasil nas escolas, bem como das marcas linguísticas da história vivenciada pela nação, por exemplo, a colonização e a imigração, contribui deploravelmente, sobretudo, para a formação de um ambiente segregador.
Com efeito, a desvalorização dos distintos dialetos agrava a regionalização do país. Segundo a filósofa Hannah Arendt, existe a banalidade do mal, isto é, um mal corriqueiro e aceito. Destarte, formam-se estereótipos naturalizados, assim como a associação pejorativa com alguma variação linguística. Em vista disso, pessoas isolam-se em grupos sociais e alguns desses são marginalizados em detrimento de outros, taxados, de forma injusta, de inferiores, como representado na célebre obra de Ramos.
Impende, portanto, que o preconceito linguístico é danoso para o bem-estar social. Com isso, cabe ao Ministério da Educação promover uma reforma educacional — de modo a encerrar impressões de novos livros didáticos que englobem a diversidade das variantes da língua. E deve fazer por meio de aprovação no Legislativo. Essa iniciativa tem o fito de formar cidadãos mais empáticos, com sentimento de brasilidade. Assim, poder-se-á mitigar a intolerância linguística perniciosa, tal como a retratada pelo poeta da geração de 30.