Preconceito Linguístico
Enviada em 21/10/2019
Frequentemente ocorre a problemática de associar-se a linguagem de uma pessoa com o nível intelectual ou social desta, sem reconhecer a conjuntura em que se encontra, ou pior, desconsiderar o verdadeiro sentido da comunicação – transmitir uma mensagem e ser compreendido pelos receptores. É como o preconceito linguístico atua, de modo a impulsionar a exclusão social em função da ignorância no que se refere ao uso da norma culta da Língua Portuguesa.
Como o Brasil é um país de grande extensão territorial, somam-se diversas culturas locais que influenciam no léxico e na fala regional de seus estados, isso sem contar as variações situacionais, nas quais o discurso é adaptado pelo falante dependendo do local onde se encontra. Todavia, muitos indivíduos são discriminados por suas singularidades ao se expressarem. É possível se dizer também que, comumente, esses brasileiros sofrem “bullying” dentro das escolas, espaços onde a empatia deveria se fazer presente.
A preocupação em pesquisar a respeito desse tema parte do princípio de que o ensino da Língua Portuguesa tem sido trabalhado de forma inflexível, como máquinas. Em outras palavras, é como se a gramática fosse à língua de todas as comunidades linguísticas. “Se os falantes se subordinam à gramática da língua, para se fazerem entender socialmente, não deixam, contudo, de comandá-la, já que são eles que decidem o que fica e o que entra de novo e de diferente” (ANTUNES, 2003, p. 89). Ocasionando dessa forma o então preconceito linguístico que sem dúvida é o grande mal de algumas escolas e de profissionais que nelas atuam.
Visto que a urgência deste assunto decorre do fato de que ainda é muito pouco discutido mesmo ao ser praticado em grande escala tanto no Brasil quanto ao redor do mundo, são necessárias iniciativas. O Ministério da Educação deve, por meio de reformas nos conteúdos das disciplinas escolares nacionais, incentivar o debate entre alunos a respeito das variantes linguísticas nas aulas administradas, principalmente, por professores de português a fim de garantir a desconstrução da sátira de falas tidas como diferentes em suas mentes, além de também necessária a conversa dentro de casa sobre o assunto. É preciso valorizar as variações linguísticas e a maneira própria que cada cidadão tem de fazer uso da língua. Assim, será possível preservar a identidade e cultura de uma nação.