Preconceito Linguístico

Enviada em 17/10/2019

No clássico infantil Alice através do espelho, a protagonista é ridicularizada pela rainha vermelha por falar de uma forma supostamente vulgar. Apesar de ficcional, essa é uma realidade no Brasil contemporâneo, na qual a uniformização do idioma tem reforçado o preconceito linguístico, que humilha as pessoas e tira o direito de sua fala.

Antes de mais nada, vale ressaltar que o Brasil teve uma colonização híbrida, o que permitiu diferenças regionais na pronúncia ou no vocábulo das pessoas. Contudo, muitos brasileiros ignoram que o País teve uma colonização híbrida e com isso comentem o erro de impor a todos a mesma variedade linguística. A esse respeito, Hannah Arend criou o conceito chamado banalidade do mal, que explica a maldade banal como a maldade praticada sem culpa e sem percepção de que está sendo praticado algo mal, o que explica a prenoção de idioma.

Ademais, a sociedade não consegue distinguir a gramática da língua. De acordo com Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Sendo assim, se não é discutido sobre o preconceito linguístico e a diferença entre a língua e gramática, as pessoas não vão compreender que se um indivíduo usa a língua sem utilizar a norma culta e consegue se comunicar não há o menor problema, logo, vão praticar o preconceito de dialetos.

Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Diante disso, o Ministério da educação junto ao Ministério da Cultura deve fazer um projeto nas escolas, o qual promova palestras e atividades lúdicas sobre o prejuízo da língua e  a colonização híbrida do Brasil, a fim de que os indivíduos vejam que não há o menor sentido em humilhar alguém que fala de forma considerada supostamente errada. Só assim teremos um País livre do preconceito linguístico.