Preconceito Linguístico

Enviada em 11/10/2019

Em “A Língua de Eulália”, livro escrito por Marcos Bagno, é argumentado que falar diferente não apresenta-se como sinônimo para articulação incorreta, haja vista as razões históricas e sociológicas que influenciam a fuga dos padrões de vocabulário impostos. Contudo, diferente da obra literária, que incita a aceitação das variações de linguajar, a presença do preconceito linguístico é um fenômeno indubtável no contexto brasileiro, posto a coexistência de multiculturalidades no país. Nesse contexto, faz-se necessário um debate acerca dos entraves que tornam a problemática uma realidade.

Primordialmente, é importante destacar que a falta de aceitação ao diferente é uma das principais adversidades que corroboram com a problemática. Nesse sentido, o sociólogo Gilberto Freyre, que fez uma breve análise da formação brasileira, destaca que as diferenças no país são vistas como fator de repulsa, tendo em vista que há um padrão cultural europeu enraizado desde o período colonial, o que propicia o preconceito e discriminação contra as adversidades, sobretudo linguísticas, já que o Brasil possui variados dialetos. Entretanto, cabe ressaltar que tal realidade não é admissível, pois, conforme a Constituição Federal, todos são iguais e têm direito à igualdade, sem distinção de nenhuma natureza.

Outrossim, é fundamental destacar que a falsa sensação de existir culturas superiores a outras é um impasse para a questão. Há de se ressaltar que Darcy Ribeiro, importante escritor brasileiro, aponta que muitos indivíduos do país constituem-se intolerantes pelo fato de serem etnocêntricos, ou seja, por considerarem que seus padrões culturais e comportamentais são transcedentes em relação os distintos, corroborando assim para o achismo da existência de um modo linguístico melhor e mais correto que outros. Do mesmo modo, durante campanhas eleitorais no ano de 2014, pelo fato de possuírem um marcante linguajar, além de distintos costumes culturais, os nordestinos foram alvo de horríveis ataques através das redes sociais, o que ilustra o problema destacado.

Nesse sentido, em virtude dos fatos mencionados, faz-se necessário o planejamento de medidas que atenuem a temática. Para tanto, urge que o Superministério da Cidadania, em parceria com instrumentos midiáticos, tais como as redes sociais, promovam campanhas publicitárias que repudiem o preconceito linguístico, de modo a destacar a pluralidade cultural e dialética existente no país, a fim de informar e clarificar o pensamento da população a respeito da questão. Ademais, faz-se necessário que o Ministério da Educação promova eventos escolares, abertos para todas as comunidades locais, que ressaltem e apresentem os dialetos de cada região brasileira para os indivíduos, com o objetivo evidenciar a existência de distinções e a necessidade de respeito para todas. Assim, espera-se que como em “A Língua de Eulália”, as variações linguísticas sejam respeitadas no país.