Preconceito Linguístico

Enviada em 11/10/2019

Preconceito linguístico é a descriminação existente falantes de um mesmo idioma, aonde não há respeito pelas variações linguísticas como regionalismo, sotaque, dialetos, gírias e demais diferenças de um determinado grupo. Dada a explicação do que é preconceito linguístico, nota-se que, no Brasil, tal prenoção é um fenômeno comum e deve ser coibido, uma vez que esse quadro contribui para exclusão social e fere o respeito que deveria existir entre as diferenças linguísticas.

Primordialmente, torna-se necessário destacar que um dos precursores dessa súmula é a negação da existências das variantes da língua. Tal questão ocorre, pois, para muitos brasileiros, o português ‘‘correto’’ seria aquele atende a todos os critérios da norma culta padrão, não sendo consideradas as outras condições responsáveis pela estruturação da formação de um dialeto, e por isso, as variantes da fala são consideradas, por muitos, uma forma incorreta de se expressar. Correlato a esse contexto, o linguística Carlos Bagno, em sua obra ‘‘Preconceito Linguístico: O que é, como se faz’’, o português varia com a região geográfica, classe social e grau de instrução, e que desvalorizar todas essas condições pela ideia de um único e imutável é um perpetuador de preconceito. Sob essa perspectiva, não apenas tal questão fortalece preconceitos, como também demonstra a falta de educação linguística por parte da sociedade, ao não reconhecer o pluralismo de linguajar na cultura brasileira.

Outrossim, é substancial sobrelevar que tal cenário favorece para a exclusão social e o desrespeito as diferenças linguísticas de cada região. Nota-se que isso ocorre, por exemplo, quando uma pessoa nordestina é retratada em uma telenovela, sendo colocada como uma pessoa rústica, ignorante e com fala extremamente forçada ao tom pejorativo que, nesse caso, embora seja ‘‘humorístico’’, não contribui de maneira positiva para a imagem dos nordestinos. Consoante a essa situação, o filósofo Pierre Bordieu, afirma que o desrespeito está - sobretudo - na perpetuação de preconceitos que ferem a dignidade humana. Logo, vê-se que tais condições devem ser transpostas, haja vista que não agregam positivamente na construção da valorização as variantes da língua e seus respectivos falantes.

Fazem-se prementes, portanto, medidas que visem deslindar tal vicissitude social. Destarte, as instituições escolares - responsáveis por estimular pensamento crítico e educar a população - devem buscar conscientizar e construir respeito as heterogeneidades da língua portuguesa. Isso pode ser feito a partir de palestras, debates e distribuição de materiais didáticos que visem educar a população sobre as questões que envolvem variações linguísticas. Em paralelo, a mídia deve promover propagandas e debates nos meios tecnológicos (rádio, tv e internet), que viabilizem o respeito as diferenças linguísticas na comunidade canarinha, ajudando, assim, a transpor os preconceitos velados presentes no dialeto.