Preconceito Linguístico
Enviada em 11/10/2019
Desde o “descobrimento do Brasil” em 1500, povos que habitavam o território nacional foram catequizados e, por muitas vezes, acabaram perdendo diversas características típicas indígenas. Além dos portugueses os forçarem a seguir a religião do povo europeu, traços linguísticos também foram comprometidos, inclusive, atualmente, muitos idiomas que se falavam antagonicamente por eles foram extintos. Assim, muito além da língua tupi-guarani foi construída a nação, demonstrando a importância do idioma para a identidade nacional.
Outrossim, o processo de socialização, que é indispensável para introduzir um indivíduo à sociedade, trouxe uma ampla normatização de palavras e frases para a língua. Logo, o português, que antes se prendia a termos rebuscados pela camada mais rica que havia acesso à educação, foi transformado em um âmbito mais acolhedor. Com isso, cada sotaque e gíria, expressado do norte ao sul do território brasileiro, carregam consigo valores de cada região, mostrando a importância que a língua tem para integrar a cultura nacional.
No entanto, muitos confundem ou não entendem a importância da variação no idioma, trazendo o preconceito linguístico como um dos problemas da atualidade, no qual indagam a falta da presença da norma culta. Contudo, o homem está em contato com várias pessoas diferentes o tempo todo, e é normal que a população faça aprimorações na fala que não necessariamente precisam estar em dicionários, pois tanto o português que se aprende na escola quanto o linguajar do cotidiano, exercem suas funções e ambas são importantes.
Desse modo é evidente, portanto, a necessidade de conscientizar e informar a população sobre a importância da variedade na língua e a criminalização do preconceito linguístico por uma legislação específica para o assunto. O Ministério da Educação deve organizar exposições pelo Brasil, que exponha a riqueza da fala populacional e como são fundamentais para a identidade no português, inviabilizando possíveis práticas preconceituosas. Dessa maneira, pode-se evitar a perda linguística ocorrida no período colonial brasileiro.