Preconceito Linguístico
Enviada em 14/10/2019
Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita na qual o corpo social padroniza-se na ausência de conflitos e problemas. Não obstante, o que se observa na realidade contemporânea é antagônico ao que o autor prega, uma vez que o preconceito linguístico, prejulgamento gerado pelas diferenças dialéticas de um mesmo idioma, dificulta as concretizações do plano de More. Esse cenário contraditório é fruto tanto da metodologia de ensino nas escolas, quanto do preconceito intrínseco da sociedade.
Primordialmente, é fulcral pontuar que o preconceito linguístico deriva da metodologia de ensino utilizada nas escolas, tendo em vista que as atividades de pedagogia ao invés de amenizar a problemática, contribuem para a ampliação do preconceito, posto que a matéria ensinada sobre gramatica normativa nas escolas visa à norma culta como a única forma adequada para se comunicar, excluindo as demais variantes linguísticas. Essa aplicação faz os cidadãos acreditem que há uma hierarquia linguística e julguem-se como superiores em relação àqueles que não utilizam a norma culta. Esse comportamento pode ser verificado no livro “Vidas Secas’’, do escritor Graciliano Ramos, na qual o personagem Fabiano, homem rude e pobre, é constantemente retaliado e excluído pela sua extrema dificuldade em comunicar-se com os outros utilizando a linguagem padrão. Logo, fica claro que o preconceito linguístico descende da colocação da norma culta como a linguagem padrão de comunicação pelas escolas.
Outrossim, é imperativo ressaltar o preconceito intrínseco da sociedade como promotor do problema, posto que, a sociedade hodierna carrega princípios excludentes e marginalizadores, advindos da forma de ensino, os quais não conseguem lidar com a diversidade cultural e os regionalismos presentes na linguagem das diferentes regiões do Brasil. Nesse viés, essa é a violência simbólica da qual trata o sociólogo Pierre Bourdieu, a violação dos direitos humanos não consiste somente no embate físico, ele está, sobretudo, no ato de perpetuar preconceitos que atentam contra a dignidade de um individuo. Por conseguinte, é indiscutível que o preconceito da sociedade transforma-se em violência.
Em suma, com o intuito de erradicar o preconceito linguístico, torna-se fulcral que o Ministério da Educação, atualize o Plano Nacional de Educação, reformulando e atualizando a metodologia dos livros e o ensino, valorizando a diversidade e os regionalismos linguísticos, para que todos estudantes aprendam que a língua falada vai além da gramatica normativa. Dessa forma, a problemática e seus impactos serão resolvidos e a coletividade alcançara a Utopia de More.