Preconceito Linguístico
Enviada em 19/10/2019
De acordo com o filósofo Émile Durkheim, os indivíduos sofrem com a coercitividade dos fatos sociais, ou seja, eles são vítimas da pressão exercida pela sociedade para seguirem padrões preestabelecidos. Desse modo, a imposição repressiva e intolerante de uma forma de falar à população implica um problema que atinge todos os âmbitos da sociedade: o preconceito linguístico. Como resultado, as pessoas perdem o direito da liberdade de expressão e são julgadas pelo seu sotaque ou por terem desconhecimento da norma culta.
É preciso considerar, antes de tudo, que a discriminação do modo de falar restringe a capacidade de expressão dos indivíduos. Nessa direção, Jean Paul Sartre, filósofo francês, afirma que o homem é condenado a ser livre. No entanto, é evidente que o preconceito linguístico confronta o pensamento de Sartre, na medida em que ele provoca, muitas vezes, humilhações e constrangimento às vítimas, o que faz com que elas gerem um sentimento de impotência e, consequentemente, fiquem sem expôr seus pensamentos e ideias. Soma-se a isso a dificuldade de se relacionar, pois, ao temer o seu próprio linguajar, as pessoas se isolam da sociedade, podendo acarretar a depressão e ansiedade.
Outrossim, é tácito que a variedade da linguagem faz com que muitos indivíduos sejam vítimas do superstições. Nesse sentido, o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman declara que a sociedade vive os tempos líquidos, caracterizados pela inconstância. Dessa maneira, o jeito de falar é mutável, o que origina a intolerância das pessoas com os vários dialetos existentes, uma vez que ocorre julgamentos e formações de esteriótipos pela forma de falar regional ou, até mesmo, por não seguirem a norma culta.
Portanto, é contundente a necessidade de providências para atenuar a discriminação do linguajar. Destarte, o governo deve atuar na criminalização do preconceito linguístico. Para isso, ele poderia, por meio do poder judiciário, elaborar uma lei que, antes de ser instituída, passaria por discussões meticulosas, a fim de que ela previna todas as consequências desse problema e, assim, atue efetivamente. Além disso, os professores, ao ministrarem aulas sobre a variedade dos modos de falar, devem explicar aos alunos a importância de respeitar essa diversidade, com o objetivo de que eles se tornem cidadãos mais conscientes. Com essas medidas em prática, a coercitividade dos fatos sociais, apresentada por Durkheim, seria enfraquecida, visto que a sociedade seria mais tolerante.