Preconceito Linguístico

Enviada em 20/10/2019

A constituição federal, promulgada em 1988, prevê a todo cidadão o direito à saúde, habitação e liberdade de expressão. No Brasil, entretanto, a falta de mobilização do Estado permitiu o agravamento do preconceito linguístico, o que representa uma afronta à condição humana. Nesse sentido, convém analisar as principais causas, consequências e possível medida relacionada a esse fenômeno.

O conhecimento da gramática normativa é utilizado como instrumento de distinção e dominação pela população culta. Segundo Marcos Bagno, linguista e escritor brasileiro, as causas da discriminação deriva da construção de um padrão imposto por uma elite econômica e intelectual que considera como errado e reprovável tudo que se diferencia desse modelo. Além disso, o preconceito ignora a pluralidade da língua falada no Brasil. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura de forma urgente.

Preconceito é gerado pela intolerância e ignorância das diferenças linguísticas em um idioma. Em 2016, o médico Guilherme Capel Pasqua foi afastado após debochar de um paciente que pronunciou “errado” duas palavras. A discriminação traz como consequência a segregação socioeconômica, uma vez que se dirige da elite para as classes mais pobres. Em decorrência disso, contribui para a manutenção da divisão de classes no país. Nesse sentido, é primordial analisar a falta de engajamento social e a baixa atuação do Estado nesse impasse.

Portanto, para que as prescrições constitucionais não sejam apenas teóricas, mas se tornem medida prática, é necessária uma ação mais organizada do Estado. Assim, o governo federal e a Mídia devem desmistificar a língua mostrando suas variantes em programas midiáticos, por meio de debates e palestras, com depoimentos, documentos e dados acerca do assunto. Espera-se, com isso, que o preconceito seja erradicado do país.