Preconceito Linguístico
Enviada em 15/10/2019
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948 pela ONU, garante a todos os indivíduos o direito à liberdade de expressão e ao bem-estar social. No entanto, o preconceito com o modo de falar de parcela da população impossibilita que essa desfrute desse direito na prática. Nessa lógica, a variedade linguística é um desafio a ser enfrentado por marginalizar pessoas e julgar equivocadamente.
A diversidade cultural é uma das principais características do Brasil. Nesse sentido, seria sensato acreditar que a variedade linguística seria facilmente aceita. Contudo, a preconceituosa realidade mostra o contrário. Segundo Marcos Bagno, o preconceito linguístico está ligado à confusão criada entre língua e gramática normativa. Diante disso, vale salientar que a língua culta é baseada nas regras e normas gramaticais prescritas pela gramática normativa, e essa admite apenas uma forma como a correta. Já a linguagem coloquial, que é a falada, apresenta as suas variações que são influencias por aspectos históricos, sociais, culturais e geográficos. Com isso, é prejudicial aceitar que um país miscigenado e extenso como esse, julgue os costumes de diversos povos como errado e dê prestígio apenas aos que seguem uma norma.
É de suma importância, ainda, ressaltar que muitos povos são mal-afamados pela maneira que pronunciam palavras e orações, como o caso mais evidente, os nordestinos. Marcos Bagno, professor, escritor e linguista brasileiro afirmou que a língua é como um rio que se renova, enquanto a gramática normativa é como a água do igapó, envelhece e não gera vida, a não ser que venham as inundações. Nesse contexto, a língua se diferencia por ser dinâmica como as águas de um rio, enquanto as normas são pararas, preservadas e conservadas de modo preconceituoso e prejudicial à sociedade.
Considerando os aspectos mencionados, fica claro a necessidade de medidas para reverter a situação. O Ministério da Educação deve investir em materiais que discutam a inclusão e a diversidade da língua, deixando evidente que a norma culta é necessária e precisa ser estudada para poder atingir um grupo maior, mas que ela não é a forma correta, e sim a mais formal. Dessa forma, será possível garantir a educação e integrar indivíduos de diversas regiões, de modo que nenhum grupo seja discriminado por seus costumes. Ninguém tem direito de infringir alguém pela forma de falar, é preciso respeito e igualdade de direitos para se tornar uma sociedade justa.