Preconceito Linguístico
Enviada em 16/10/2019
O preconceito linguístico é utilizado pela parcela culta da população como forma de distinção e dominação, além de negar a variação linguística como elemento integrante do português, de forma que tal preconceito não deve ser fomentado.
A linguagem culta, a qual se baseia em normas gramaticais obsoletas – que não acompanharam a evolução do português – e tem essas como padrão de correção, não representa todo o Brasil, país cujo multiculturalismo se estende também à língua. No entanto, a diversidade de dialetos não é aceita propriamente por uma parcela da população, o que se reflete na comicidade atribuída ao falar diferente, seja ele fruto de regionalismos ou baixa escolaridade. Dessa forma, o preconceito linguístico torna-se arma para a segregação e negação da pluralidade. Sendo a língua constituída por diversos dialetos que derivam de fatores sociais, históricos, geográficos e culturais. ela apresenta-se como manifestação da vida. Destarte, negar sua variedade é negar a existência de múltiplas realidades.
Embora seja evidente que determinada ocasiões exigirão o uso da norma culta e que aquele que desviá-la sairá potencialmente prejudicado, é necessário reconhecer que a língua não é nivelada e que os diversos falares se justificam através da realidade sócio-cultural do falante. Em função disso, o linguista Marcos Bagno, autor do livro Preconceito Linguístico, defende que os professores, ainda que se atentem às regras, devem ter como maior objetivo ajudar os alunos a desenvolver sua capacidade de expressão e reflexão.
De conformidade com as ideias defendidas por Marcos Bagno, mudanças no ensino do português, tendo como finalidade a construção de uma sociedade aberta à coexistência de múltiplos falares, são necessárias. À vista disso, o Ministério da Educação deve incentivar a reformulação dos cursos de licenciatura de Letras com o objetivo de formar professores com maior entendimento sociolinguístico, de modo que estejam aptos a tratar do assunto em sala de aula. Além disso, o mesmo órgão deve realizar alteração nos livros didáticos e conteúdos programáticos para que a devida importância seja dada à questão. Como recurso para auxiliar os professores pode-se inserir a literatura: personagens infantis como o Chico Bento irão ajudar a atrair a atenção das crianças e livros da segunda geração modernista, que tem como uma de suas principais características o regionalismo, irão contribuir para que adolescentes vejam e tratem as variações linguísticas de maneira empática.