Preconceito Linguístico
Enviada em 15/10/2019
O personagem Chico Bento, dos quadrinhos Turma da Mônica, difunde em sua forma de falar a variedade linguística típica do interior brasileiro. Fora da ficção, no Brasil hodierno, o atual cenário de preconceito linguístico, corrobora a desvalorização de vertentes da língua falada, como a do personagem. Essa conjuntura problemática, decorrente da valorização de desvalorização de padrões fora da norma padrão, corrobora para a restrição do direito de liberdade de expressão cultural no país. É fato, portanto, a necessidade do combate ao preconceito linguístico no Brasil.
Em primeira análise, convém destacar que a língua portuguesa apresenta diversas vertentes para além da norma culta. Nesse contexto, o linguista Marcos Bagno, em seu livro preconceito linguístico, afirma que há, no país, a difusão do mito de que apenas a norma padrão é correta. Nesse sentido, verifica-se que o sistema educacional contribui para a propagação desse mito, uma vez que, apenas a vertente culta é ensinada nas escolas. Dessa forma, crianças e jovens são educadas para o uso unicamente na norma padrão o que resulta na manutenção do preconceito linguístico.
Ademais, é válido salientar que a língua é um importante constituinte da cultura de um povo. Consoante a isso, a Constituição Federal, atribui ao Estado a obrigatoriedade em assegurar as diversas formas de expressão cultural. Entretanto, essa instituição social negligencia esse dever visto que não há legislação que criminalize o preconceito linguístico no Brasil. Dessa maneira, permanece na sociedade o desrespeito com as diferentes variedades da língua portuguesa e as formas culturais atreladas a essas vertentes.
Dessarte, são necessárias medidas que mitiguem o problema. Primordialmente, o Governo, por meio do ministério da Educação (MEC), deve inserir na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) o ensino obrigatório de variedades linguísticas nas escolas desde o pre-escolar. Assim, crianças e jovens conhecerão as diversas formas de expressão da língua e o preconceito linguístico será diminuto. Além disso, o poder legislativo deve propor leis que criminalizem o preconceito linguístico no país a fim de proteger as manifestações culturais atreladas a essas variedades da lingua. Somente assim, os diversos modos de falar o português serão valorizados.