Preconceito Linguístico

Enviada em 15/10/2019

Com a chegada dos portugueses ao Brasil no século XV ocorreu a exploração e o massacre de povos indígenas que habitavam o território nacional. Consequentemente, em 1757 uma Provisão Real implantou a língua portuguesa como idioma oficial do país, proibindo a utilização do Tupi-guarani – idioma que predominava entre os índios até então. Hodiernamente, é cognoscível que o preconceito linguístico presente no Brasil tem raízes históricas, que persistem por conta da supervalorização da norma padrão e de uma mídia xenofóbica.

Primeiramente, é importante salientar que no Brasil existe a supervalorização da linguagem padrão em detrimento da linguagem coloquial. Desde o início da formação acadêmica dos brasileiros, iniciada no jardim de infância, livros didáticos e, posteriormente os professores ensinam a língua padrão – considerada a forma correta de se escrever e de falar. No entanto, por ser considerado um país continental e multicultural, o Brasil apresenta variações linguísticas que não permitem que uma certa maneira de se expressar oralmente seja considerada superior a outra.

Ademais, infere-se que a mídia nacional mostra uma visão preconceituosa e xenofóbica acerca da forma de expressar da população nordestina. Em novelas, por exemplo, como “O Velho Chico” da Rede Globo de Televisão, são retratadas as personagens nordestinas como maltrapilhas e que falam de forma distinta das demais consideradas pessoas “cultas”. Tal conjuntura é inaceitável em pleno século XXI, uma vez que essa forma de retratar as características de um povo é repudiante, já que ocorre uma taxação linguística e cultural que é extremamente preconceituosa.

Logo, o preconceito linguístico presente na sociedade brasileira tem raízes históricas que devem ser extintas. Desse modo, é substancial que o Ministério da Educação, por meio das escolas públicas e privadas, crie e distribua materiais didáticos, como livros que mostrem de forma clara e dinâmica a diversidade cultural e linguística que existem no território nacional. Esses materiais devem auxiliar os estudantes desde o jardim de infância a compreenderem que não existe uma forma correta de se falar, o que existe são culturas e modos de expressão distintos, o que contribuiria para desfazer a imagem xenofóbica que se tem sobre o povo nordestino. Com essas ações, espera-se extinguir o preconceito linguístico presente no país e contribuir para uma sociedade mais coesa e solidária