Preconceito Linguístico
Enviada em 15/10/2019
Após a Segunda Guerra Mundial, com a derrota da Alemanha Nazista, surge a preocupação mundial em impedir ideais que preguem a superioridade de classes de indivíduos, seja por cor, orientação sexual ou dialeto. Entretanto, observa-se a problemática do preconceito linguístico no Brasil e, por isso, percebe-se que na prática essa determinação não está sendo realizada. Assim, se faz necessária a exploração das principais causas dessa adversidade: a supervalorização da norma culta e a depreciação social dos não praticantes dela.
Convém evidenciar, a princípio, que o atual modelo escolar corrobora para o cenário alarmante de preconceito. À guisa de Kant, o ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele. Parte das escolas brasileiras, entretanto, negligenciam a pluralidade de seus alunos ao pregar que a língua é unilateral, ou seja, toda manifestação destoante dos modelos oficiais é julgada com erro e deve ser repreendida e corrigida. Tal realidade é uma das responsáveis pela estrutural noção de soberania da gramática normativa, imposta por uma elite econômica e intelectual, e consequente limitação da identidade nacional, pautada na diversidade de dialetos regionais e culturais. Sendo assim, é essencial que o governo invista em políticas públicas voltadas à instauração da tolerância linguística na sociedade.
Além disso, percebe-se que a população tende a tratar as variedades de expressão com inferioridade. De acordo com o filólogo Evanildo Bechara, o certo é ser poliglota na própria língua. Nesse sentido, não se deve desconsiderar as normas gramaticais, mas sim admitir que todas as variações são inerentes ao idioma e tão válidas quanto elas. Todavia, a mídia exibe personagens nordestinos, negros e homossexuais, por exemplo, a fim de provocar o riso dos telespectadores através dos sotaques e gírias característicos, o que infelizmente reforça a aversão à pluralidade. Destarte, medidas energéticas são essenciais para mitigar esse cenário.
Urge, portanto, a necessidade de se combater os danos à liberdade de fala dos brasileiros. Para isso, o Ministério da Educação deve, por meio de prévia modificação dos conteúdos escolares nacionais, incentivar o debate direcionado acerca das variantes linguísticas nas aulas administradas por professores de português a fim de garantir que o caráter cômico de falas tidas como diferentes seja desconstruído na mente dos alunos. Além disso, o Poder Legislativo deve, através da votação de uma Lei no Congresso Nacional, proibir a veiculação de programas humorísticos que retratem com inferioridade figuras nacionais estereotipadas, com o objetivo de extinguir o preconceito linguístico propagado em rede nacional. A articulação dessa conjuntura é impreterível para a formação de uma nação poliglota na língua portuguesa, como o ideal para Bechara.