Preconceito Linguístico

Enviada em 16/10/2019

O preconceito linguístico é praticado com base nas variações que existem dentro de um mesmo idioma. No Brasil, especificamente, se baseia sobretudo em uma “língua padrão”, utilizada como motivação para o desrespeito às outras formas de falar. Desse modo, a parte da sociedade que foge deste padrão, sofre represálias e exclusão. Por isso, é imprescindível debater e buscar minimizar os efeitos do problema.

Mundialmente, o país é considerado miscigenado e de cultura ampla. Devido a isso, encontra-se, diversas manifestações artísticas, de expressão e, também, linguísticas - que contribui para a riqueza do idioma. No entanto, há resistência de parte da população em aceitá-las, criando um “apartheid cultural”, no qual somente o modo culto da língua é colocado como superior. Esse tipo de preconceito, alimenta uma intolerância que beira a xenofobia, contrariando, assim, o Artigo 3 da Constituição de 1988, que garante liberdade e o bem estar de todos, sem nenhuma disseminação de discriminação.

Ademais, a estereotipação que produz o preconceito linguístico se estende a quem possui baixa escolaridade. Devido a crise educacional brasileira, há indivíduos que têm dificuldade de acesso às escolas. Essa deficiência instrutiva é utilizada pela mídia para criar um imaginário que direciona “falar errado” como sinônimo de pobreza. Exemplo disso, a personagem Adelaide, do programa Zorra Total, retrata uma negra, de baixa renda, pedinte, que possui um vocabulário irregular com relação à norma padrão. Questões assim tornam-se uma arma de segregação pois facilitam a assimilação populacional de que indivíduos na mesma condição que Adelaide são inferiores e devem envergonhar-se da maneira como proferem as palavras apenas por ser pouco convencional dentro do padrão aceito.

Logo, para evitar maiores danos, medidas precisam ser tomadas. O Ministério da Educação deve, por meio de prévia modificação dos conteúdos escolares nacionais, incentivar o debate direcionado acerca das variantes linguísticas nas aulas administradas por professores de português a fim de garantir que o caráter cômico de falas tidas como diferentes seja desconstruído na mente dos alunos. Além disso, o Poder Legislativo deve, através da votação de uma Lei no Congresso Nacional, proibir a veiculação de programas humorísticos que retratem com preconceito figuras nacionais estereotipadas, com o objetivo de extinguir o preconceito linguístico propagado em rede nacional, e posteriormente, da sociedade contemporânea.