Preconceito Linguístico

Enviada em 25/10/2019

No século XV, durante o período colonial no Brasil, a repressão do falar português sobre os falares dos nativos e africanos escravizados, era uma das maneiras da coroa portuguesa garantir sua “soberania”, conferindo-lhes poder e domínio sobre aqueles que não compreendiam a língua portuguesa. Semelhantemente, nota-se a vigência dessa situação no cenário brasileiro, e sua persistência coloca a população diante de um grave problema social que precisa ser enfrentado não só porque os indivíduos são excluídos das melhores oportunidades nas esferas acadêmicas e profissionais, como também o indivíduo é segregado pela questão regional. Nesse sentido, analisar severamente as raízes e os frutos dessa problemática é medida que se faz imediata.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a questão socioeconômica está intrinsecamente ligado ao preconceito linguístico. Isso se deve ao fato de que as classes pobres tem acesso limitado a educação e cultura, e dessa forma dominam variedades linguísticas mais informais. Assim, são excluídos das melhores oportunidades do mercado de trabalho e do âmbito estudantil, gerando um efeito conhecido como “Ciclicidade da pobreza”: o pai sem acesso a educação de qualidade dificilmente oferecerá ao filho oportunidades (pela falta de condição), e este, possivelmente, terá o destino de seu pai. Tudo isso retarda a resolução do empecilho já que a falta de acesso a educação de qualidade contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Ademais, é imperativo ressaltar que a questão regional está atrelada a uma das causas do preconceito linguístico, uma vez que a elite brasileira, que vive nas regiões mais ricas do país, manifestam aversão ao modo de falar ou aos regionalismos ligados as áreas mais pobres. De acordo com o filósofo Michel Foucault, a língua pode ser usada como mecanismo de dominação e opressão. Quando se humilha um indivíduo a partir de sua maneira de se expressar, humilha-se todo o grupo social a quem ele pertence. Os agentes causadores, em sua grande parte, encontram-se nas regiões mais urbanizadas (Sul e Sudeste), os quais possuem monopólio da cultura, educação, mídia e economia. Já as vítimas, marginalizadas, por sua vez, estão nas regiões consideradas pelos opressores como mais pobres ou “atrasadas culturalmente” (como Nordeste, Norte e Centro-Oeste).

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte com intuito de mitigar o preconceito linguístico, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Educação institua nas escolas, palestras, ministradas por profissionais da educação, sobre os malefícios de excluir ou menosprezar os indivíduos por conta de seus diferentes modos de expressão na língua portuguesa e deve, também, exaltar as variações linguísticas para construção cultural do País.