Preconceito Linguístico

Enviada em 20/10/2019

O Brasil é um país de vasta extensão territorial e, logo, possui diferentes culturas e variações linguísticas. Tal pluralidade em relação à língua pode ser ilustrada por gírias, expressões e modos de falar de diferentes regiões e classes sociais. Entretanto, mesmo com tamanha diversidade, ainda existem pessoas que buscam impor um ideal linguístico em detrimento de outros. Esse comportamento, denominado preconceito linguístico, manifesta-se, por exemplo, por meio do menosprezo a sotaques e desvios gramaticais, o que pode gerar constrangimento. Com efeito, evidencia-se a necessidade de combatê-lo.

Primeiramente, é importante ressaltar que a língua portuguesa, assim como outros idiomas, possui a capacidade de se adaptar conforme fatores sociais, geográficos e históricos. Exemplo disso é a palavra “vossemecê”, que, ao longo do tempo, virou “você”. Ademais, também existem palavras diferentes para designar o mesmo item em regiões distintas, tais como mexerica e bergamota, mandioca e macaxeira, entre outros.

Outro aspecto de suma relevância quanto a variação do vocabulário é a classe social dos falantes. Em virtude das diferentes condições de acesso à educação, é comum que pessoas de classes mais baixas possuam um menor nível de escolaridade, o que reflete em seu modo de falar.

Todavia, embora a língua portuguesa seja capaz de tamanha mutabilidade e adaptação, muitas pessoas adotam uma modalidade como a ideal e menosprezam as demais. Tal comportamento pode ser associado, entre outros fatores, ao preconceito, uma vez que muitas variações linguísticas estão associadas a grupos  e classes desvalorizados.

Consequentemente, o preconceito linguístico pode gerar situações de humilhação e constrangimento. Exemplo disso foi um episódio ocorrido em 2016, que repercutiu nas redes sociais, em que um médico do estado de São Paulo debochou de um paciente na internet por causa da forma como ele falou o nome de determinadas doenças.

Fica evidente, portanto, que o preconceito linguístico deve ser enfrentado. Isso pode ser feito por meio da mídia, ao incorporar em suas produções personagens de prestígio que usam variações linguísticas, com o objetivo de combater estereótipos. A escola também deve aumentar a abordagem sobre os diferentes modos de fala na disciplina de português, como maneira de informar e conscientizar os alunos quanto a pluralidade da língua. Por fim, o governo precisa veicular a diferentes mídias campanhas de conscientização sobre o tema, para reforçar o trabalho das escolas e atingir o público adulto. Dessa forma, é possível contribuir para uma sociedade mais respeitosa quanto a diversidade.