Preconceito Linguístico
Enviada em 16/10/2019
“Para dizerem milho dizem mio/…/Para telhado dizem teiado/E vão fazendo telhados”, nessa obra do poeta modernista Oswald de Andrade é retratado o tema das variações da língua e sua função comunicativa. No entanto, ao ignorar essa finalidade do código, muitas pessoas agem de forma preconceituosa com aqueles que falam de maneira diferente. Logo, é preciso questionar essa conduta, que é causada por uma noção de certo e errado e cuja consequência básica é a exclusão social.
A princípio, convém ressaltar, como propulsora do problema, a visão de que a norma padrão é a única correta. Segundo o linguista Marcos Bagno, não existe um modo certo de falar, mas apenas modos adequados, ou não, a uma dada situação. Nesse contexto, retoma-se a ideia de que a língua tem a função de passar uma mensagem e, por conseguinte, uma vez que esse ofício é alcançado, ela já teria sido bem utilizada. Dessa forma, observa-se a pertinência de desconstuir esse ponto de vista insensato.
Ademais, é preciso analisar que o preconceito linguístico é, na verdade, uma forma de exclusão social. De acordo com Michael Foucalt, em sua obra Microfísica do Poder, a língua pode ser utilizada como mecanismo de opressão. Nesse sentido, ao “zombar” da forma alheia de comunicação, o indivíduo ridiculariza todo um grupo social, reprimindo seu modo de se expressar. Exemplo disso é o tratamento dado aos nordestinos, no qual eles são humilhados não somente pela sua variante linguística, mas principalmente por comporem uma comunidade historicamente segregada. Assim, percebe-se a crueldade escondida nessa forma de intolerância e, pois, a necessidade de combatê-la.
Destarte, é imprescindível que providências sejam tomadas para solucionar esse obstáculo ao desenvolvimento social. Portanto, cabe às escolas, por meio de aulas e/ou atividades lúdicas - como, por exemplo, a criação de “feiras de linguagens” -, promover a interação de seus alunos com as inúmeras variações linguísticas existentes no Brasil. Essa ação tem o fito de conscientizar os discentes de que as formas diferentes de se comunicar são parte da diversidade cultural brasileira e, desse modo, são importantes na construção de uma identidade nacional, como aquela buscada pelos escritores modernistas na primeira metade do século passado.