Preconceito Linguístico

Enviada em 18/10/2019

Peleumonia – essa foi a palavra que um paciente usou para fazer um questionamento ao médico, poderia ter sido somente mais um dia normal, no entanto o médico resolveu tirar foto, postar nas redes sociais e fazer piada em cima da fala do paciente. Esse caso, reflete um paradoxo que infelizmente se faz presente no Brasil, visto que parte da população se mostra incapaz de aceitar a diversidade linguística. Diante disso, é necessário refletir em medidas que combatam essa cultura de preconceito.        Convém ressaltar, a princípio, que a língua constitui um direito do ser humano e representa um Patrimônio Imaterial de uma nação, estabelecido pela ONU em 1948 na Declaração dos Direitos Humanos. Essa prerrogativa é fundamental ao homem pois a fala é intrínseca a constituição da dignidade humana. No entanto, o discurso de ódio, em relação as variantes linguísticas, fere a garantia estabelecida na Declaração das Nações Unidas. Tal fato é preocupante em razão de posicionar o país numa condição incoerente, visto que não faz sentido um povo que se auto intitula multicultural ter o preconceito linguístico como prática comum.

Ademais, é necessário citar o poder de dominação e exclusão social que o preconceito linguístico pode acompanhar. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, tal fato é um problema quando as classes dominadas reconhecem a existência de uma língua superior e legítima, de maneira a se colocar numa posição de subjugação. Por outro lado, as classes dominantes usam essa diferenciação para controle social, manipulação e segregação. Esse contexto surge como um impasse social, uma vez que é um entrave à existência de um Estado Democrático de Direito, o qual todos tem direto a voz.

Diante dos fatos supracitados, é necessário que o governo por intermédio do Ministério da Educação, introduza na grade curricular das aulas de linguagens, discussões sobre o tema, mediante trabalhos em grupo, debates e produções de texto. De modo que os alunos usem as diversas variantes da fala e aprendam as situações em que cada uma se adequa. Essa iniciativa busca transmitir a importância da pluralidade de modos de falar para a construção da identidade regional, cultural e pessoal. Além disso, a mídia deve apresentar a população propagandas e programas que valorizem a diversidade linguística e as particularidades de cada uma. Assim, com a efetividade de tais medidas, a população irá perceber que a riqueza multilinguística torna o Brasil um país rico e o seu Património Imaterial é único.