Preconceito Linguístico
Enviada em 19/10/2019
Na concepção de Helen Keller, “o resultado mais sublime da educação é a tolerância”. Essa abordagem evidencia a carência de respeito à diversidade linguística no âmbito brasileiro. É notório que o preconceito linguístico é causado pela associação de diversas questões, como o preconceito regional, socioeconômico, cultural, racismo e homofobia. Consequentemente, tem-se a acentuação dos problemas sociais, como a desigualdade. Assim sendo, intervenções são necessárias.
Em primeira instância, é importante salientar que a elite intelectual e econômica criaram um padrão que considera errado qualquer variante da língua diferente da adotada por eles. Fica claro que tipos de preconceito como o regional e socioeconômico resultam no preconceito linguístico, já que casos de desprezo e aversão por indivíduos que possuem sotaque ou utilizam regionalismos típicos de zonas mais pobres são comuns no país. Atrelado a isso, tem-se o problema cultural, pois, no Brasil, há uma discriminação por parte da elite com a cultura de massa, como ocorre na música, na qual estilos como o funk e rap são taxados e desrespeitados por uma parcela social por conta das ideias e estilo linguístico. Com isso, nota-se que diversos tipos de preconceitos resultam diretamente na questão linguística.
Em segunda instância, é necessário analisar que problemas sociais como o racismo e a homofobia causam diretamente preconceito linguístico contra as gírias e expressões usadas por esses grupos. É evidente que elementos da cultura negra ainda são extremamente segregados na sociedade e na linguagem isso também ocorre, como por exemplo a discriminação com o termo “macumba”, que é associado à magia negra, todavia se refere a um instrumento de origem africana. Outro fator relevante é a falta de aceitação aos elementos pertencentes ao grupo LGBT, assim como ocorreu no Enem 2018 com uma questão que se referia ao pajubá (dialeto criado por esse grupo) que causou grandes discussões. Desse modo, combater essas mazelas é o caminho para reduzir o preconceito linguístico.
Portanto, é possível inferir que diversos problemas sociais como a marginalização, preconceito regional, racismo e homofobia resultam no preconceito linguístico, que ainda se encontra enraizado na sociedade. Por conseguinte, é necessário que o Ministério da Educação promova uma reforma no modelo educacional e implante o princípio da Adequação linguística, que se baseia no contexto da utilização e não no “certo” ou “errado”, e empregue palestras, peças teatrais e jogos para ensinar a igualdade e combater todos os preconceitos desde os primórdios escolares. Outrossim, é necessário que a mídia se adeque ainda mais e espalhe a ideia do respeito às variações da língua, por meio de campanhas publicitárias e implementação dessas ideias nos programas veiculados, para que os telespectadores adquiram esse conhecimento. Desse modo, essa mazela atingirá menores proporções.