Preconceito Linguístico

Enviada em 19/10/2019

Numa sociedade vetusta, sofistas gregos utilizavam a língua e seus conhecimentos como forma de manipulação e artifício na constituição de oligarquias na Grécia Antiga. Persistindo atemporalmente, embora a Constituição de 1988 delineie a todos os indivíduos respeito e igualdade sem nenhum tipo de distinção, o preconceito linguístico viola essa máxima e ainda acomete a sociedade brasileira na contemporaneidade. No âmbito social, é notório um cenário caótico e segregativo em virtude da ideologia de superioridade geográfica e etnocentrismo linguístico hodierno. Logo, é necessário um maior empenho do Poder Público e instituições formadoras de opinião para resolução da problemática.

A priori, a língua é passível de mudanças e, por isso, cada variante regional possui características próprias a serem respeitadas como patrimônio cultural, independentemente de sua origem ou grupo pertencente.  De maneira análoga ao exposto, o ideal defendido pelo filósofo Levi Strauss afirma que a cultura é um conjunto de sistemas simbólicos, incluindo a linguagem e os hábitos socioculturais. No entanto, é evidente que esta vertente sofre alterações no contexto social vigente, uma vez que a hegemonia idiomática adotada por muitos cidadãos tange à norma culta em detrimento qualquer forma de miscigenação e, por isso, as variações são consideradas erradas e combatidas.

Outrossim, de modo determinista os meios midiáticos atuam como agentes da perpetuação de intolerância linguística. Por conseguinte, a tipificação de personagens cômicos inferiorizados social e intelectualmente é, muitas vezes, associada à forma de expressão e dialetos de uma determinada região. Em contrapartida à literatura de Gilberto Freyre, expressa em “Casa Grande e Sensala”, a pluralidade cultural presente no Brasil caracteriza a identidade nacional, porém não é íntriseca a um determinado grupo ou classe social. Ainda, é cogente afirma que  todas as transformações inerentes à língua devem ser respeitadas e aceitas pela comunidade. Nesse viés, torna-se imprescindível enfrentar esse cenário no intuito de garantir a liberdade cultural.

Destarte, é evidente que valores de Strauss devem ser aceitos e o preconceito linguístico erradico da sociedade tupiniquim. Portanto, o Ministério da Educação e Cultura, como instância máxima dos aspectos administrativos e de manutenção dos valores típicos brasileiros, deve adotar estratégias no tocante ao respeito e disseminação da importância de uma variedade linguística. Essa ação deve ser feita por meio de campanhas publicitárias e simpósios voltados à todo corpo social e, por meio deles, o contato com os dialetos devem ser introduzido e os esteriótipos apaziguados. Ademais, o Ministério da Justiça deve intervir em canais midiáticos que conterem algum tipo de discriminação e multar os casos mais relevantes. Talvez, assim, o direito constitucional será validado e a almejada equidade atingida.