Preconceito Linguístico

Enviada em 20/10/2019

No filme “A chegada”, em plano de fundo do primeiro contato da humanidade com seres extraterrestres, é feito uma reflexão da influência linguística de um povo sob a moldagem do pensamento e entendimento do tempo. Paralelo ao filme, é possível relacionar a importância das variações comunicativas no processo civilizatório. No entanto, no Brasil é observado um lastimável preconceito com essas diferenças inerentes. Assim, para que o preconceito seja extinguído uma análise das esferas sociais e educacionais faz-se necessária.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a intolerância em questão tem marcas históricas que perpetuam na sociedade hodierna. Nesse sentido, é cabível de comparação o evento desencadeador da Semana de Arte Moderna em 1917, decorrido em razão da crítica preconceituosa feita sobre a exposição antitradicionalista de Anita Malfatti, impulsionando dessa forma o anarquismo artístico e a quebra de barreiras gramaticais e métricas. Entretanto, embora na literatura os bloqueios tenham sido rompidos, esse preconceito ainda é utilizado como propagador da discriminação no tecido social, marginalizando os atingidos e oprimindo a expressividade de um contingente demográfico.

Somado aos aspectos supracitados é imperativo ressaltar, também, o fator educacional como formador do ser humano. Segundo o sociólogo francês Pierre de Bordieu " o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão". Sob esse viés, é comum observar nas escolas comportamentos opressores direcionados a jovens que usam dialetos de origem periférica ou rural, impulsionados muitas vezes pelo próprio corpo docente ao homogeneizar a forma culta da linguagem e ignorar seus diversos canais e formas de compreensão. Desse modo, para evitar esse quadro deletério, é mister uma ação governamental no método pedagógico das escolas.   Fica claro, portanto, que medidas exequíveis devem ser tomadas para conter o avanço da problemática. Dessarte, urge que o Ministério da Educação(MEC), faça uma adequação da grade curricular nas escolas de ensino básico e médio ao unir as disciplinas de literatura e português, promovendo, dessa maneira, a interdisciplinaridade e a complementação do senso crítico e histórico da literatura com a função referencial da gramática. Outrossim, é dever dos professores a consciência das proporções continentais do país e evitar a homogeneização nas salas de aulas, frisando sempre a importância da adequação ao meio. Assim, será apresentado nas escolas a reflexão que o filme “A chegada” propôs no cinema.