Preconceito Linguístico
Enviada em 21/10/2019
O preconceito é algo que acompanha todas as civilizações ao longo do tempo. Os desvios da norma culta são duramente criticados, já que, tem-se como base a gramática normativa, a qual é completamente diferente da língua falada pela nação, já que esta varia de acordo com a situação social, cultural e histórica do povo. De acordo com o livro “Preconceito linguístico”, de Marcos Bagno, não existe uma forma certa ou errada de se expressar. Contudo, o preconceito linguístico está enraizado nas pessoas, as quais levam em consideração apenas o seu próprio jeito de falar, designando-o como o modo correto.
É fato que a colonização portuguesa teve um papel fundamental para a construção do Brasil. Os portugueses impuseram sua língua, ignorando todos os idiomas indígenas. Por este motivo, a língua portuguesa padrão é considerada superior às suas variantes, sejam elas regionais, sociais ou culturais. Pode-se notar, com isso, que sempre existiu algum tipo de preconceito, o qual foi levado de geração a geração. Com o movimento modernista, na literatura, começou-se a ter um nacionalismo, com o intuito de valorizar a linguagem brasileira, com todas as suas variantes e peculiaridades, fazendo com que houvesse uma diversidade linguística mais aceita no país.
Ademais, há certos tipos de distúrbios, como a dislalia, que a pessoa não consegue falar a letra “R”, e troca-a pelo som de “L”. Um exemplo claro e conhecido, é do personagem Cebolinha, criado por Maurício de Souza, o qual, no enredo, sofria preconceito por causa do seu distúrbio. Todavia, sofrer de um distúrbio, ou falar de acordo com sua região, é diferente de cometer um erro gramatical, e dizer que está certo porque é uma variante da língua.
Sendo assim, a fim de amenizar esta problemática, é de extrema importância que as escolas ensinem que há variantes da língua portuguesa, e que estas não constituem a forma errônea. Além disso, o Ministério da Educação, por meio de projetos que visem a diversidade linguística entre os indivíduos, a partir da arrecadação de impostos destinados à educação, incentive a produção e a criação textual, principalmente pelas crianças e jovens, com o intuito de transformar a língua portuguesa em uma língua que cultiva a diversidade, na qual não exista modo certo ou errado de falar.