Preconceito Linguístico
Enviada em 21/10/2019
O preconceito linguístico é um tipo de discriminação que resulta da realização de comparativos indevidos entre um modelo idealizado da língua falada com a maneira como as pessoas realmente se comunicam. Pode acontecer também quando se compara a forma de falar de diferentes regiões dentro de um mesmo país. Esse preconceito está ligado, também, à classe social ocupada pelos falantes. Ou seja, pessoas de poder aquisitivo mais elevado tendem a exercer preconceito contra o modo de falar daqueles mais humildes.
Mundialmente, o Brasil é considerado um país miscigenado e de cultura ampla. Devido a isso, não é raro encontrar, dentro da sociedade brasileira, diversas manifestações artísticas, de expressão e, também, linguísticas. As variantes faladas no Nordeste, por exemplo, divergem das faladas no Sul, contribuindo para a riqueza de um idioma. No entanto, há resistência de parte da população em aceitá-las, refletida na criação de um estereótipo de nordestino analfabeto ou inferior, cuja fala é considerada errada e, por isso, é tido como incapaz. Esse tipo de preconceito acaba constrangendo e excluindo regionalmente populações inteiras, alimentando uma intolerância que beira a xenofobia e contrariando, assim, o Artigo 3 da Constituição de 1988, que garante liberdade de todos, independentemente de raça, cor, etnia, gênero, religião e região.
Existe também a questão da escolaridade. Não é novidade que o Brasil passa por uma crise educacional, sobretudo quando falamos em escolas públicas brasileiras. Uma parte considerável da população não tem acesso às escolas. Como disse Paulo Freire, “Se a educação não muda o mundo, sem ela tampouco o mundo muda”. Assim, por conta da baixa escolaridade das pessoas que geralmente são mais pobres, aqueles com escolaridade mais alta se sentem no direito de inferiorizar essas pessoas atrás da fala. A educação, portanto, acaba sendo só uma arma para rebaixar o outro por meio do preconceito linguístico.
Logo, para evitar maiores danos à liberdade de fala dos brasileiros, medidas precisam ser tomadas. O Ministério da Educação deve, por meio de prévia modificação dos conteúdos escolares nacionais, incentivar o debate direcionado acerca das variantes linguísticas nas aulas administradas por professores de português a fim de garantir que o caráter cômico de falas tidas como diferentes seja desconstruído na mente dos alunos. Além disso, o Poder Legislativo deve, através da votação de uma Lei no Congresso Nacional, proibir a veiculação de programas humorísticos que retratem com preconceito figuras nacionais estereotipadas, com o objetivo de extinguir o preconceito linguístico propagado em rede nacional.