Preconceito Linguístico
Enviada em 21/10/2019
Desde 1530, quando o Brasil começava a ser colonizado pelos portugueses, o idioma do país iniciava sua formação, tendo como princípio o “português de Portugal”. Porém, com o passar dos séculos, outros imigrantes, tais como: japoneses, italianos e alemães, foram se estabelecendo no território, gerando assim uma diversidade linguística. Em consequência desse fato, advém, em paralelo, o preconceito linguístico, que pode ser observado no sentimento de superioridade por “falar corretamente” e na exclusão de pessoas por não seguirem as regras gramaticais. Desse modo, é necessário analisar o fenômeno para que se possa contorná-lo.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, devido a extensão do território brasileiro, existe uma grande diversidade cultural e social que está presente em várias formas de expressão. Entretanto, em razão dessas diferenças da língua, surge um preconceito que ocorre sob um sentimento de superioridade por indivíduos que acreditam na necessidade de uma homogeneidade no modo de falar dos cidadãos do país. Fato esse que pode ser observado entre Sul e Sudeste contra Norte e Nordeste no final das eleições de 2014, onde muitos nortistas e nordestinos foram humilhados nas redes sociais pelas suas diferenças no modo de falar em comparação aos sulistas e sudestinos.
Ademais, a deficiência educacional é outro instrumento utilizado para criar um imaginário de fala errada. Com a crise educacional vivida atualmente no Brasil, muitos indivíduos possuem dificuldade de acesso às escolas, gerando um preconceito linguístico ligado a quem possui baixa escolaridade por não utilizar a norma padrão difundida como correta nas instituições de ensino. Além disso, essa segregação gerada faz com que os cidadãos associem quem não utiliza das regras gramaticais “adequadas” com pessoas inferiores, excluindo-as socialmente e constrangendo-as por seu modo de falar pouco convencional dentro do padrão aceito.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para minimizar o quadro atual. Para a conscientização da população a respeito do problema, urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC), forneça, por meio de verbas governamentais, palestras nas instituições de ensino acerca das variantes linguísticas encontradas no país, afim de gerar debates para desconstruir a ideia de homogeneidade dentro da língua. Para que haja maior alcance de indivíduos, a divulgação deve ser feita através das redes sociais e das grandes mídias, juntamente com campanhas sobre a grande diversidade cultural e social que gera as diferentes expressões brasileiras. Assim, será possível combater o preconceito linguístico advindo da miscigenação de diversos povos após o processo de colonização pelos portugueses em 1530.