Preconceito Linguístico
Enviada em 22/10/2019
Com o objetivo de criticar o preconceito da sociedade brasileira do séc. XX, Monteiro Lobato conta em uma de suas obras a história de Jeca Tatu, sertanejo do interior paulista, que na obra sempre é julgado ignorante e inferior por conta de seu vocabulário linguístico. Analogamente, mesmo no séc. XXI, o preconceito linguístico ainda persiste, visto que todos os dias inúmeros de brasileiros infelizmente são vítimas do preconceito em relação ao seu modo de falar, semelhante ao que Jeca Tatu sofria no séc XXI, assim, é de fundamental importância analisar o descaso governamental e o preconceito da sociedade que corroboram o problema.
Em primeira análise, é preciso destacar que a ausência de medidas públicas para combater o preconceito linguístico agrava o problema, pois, por não haver uma legislação específica contra esse preconceito e muito menos centros de denúncia qualificados para a população levar à justiça os casos de discriminação linguística, muitos casos voltam gerar vítimas desse preconceito, já que, segundo dados do IBGE, o número de casos de violência ocasionados por conta da intolerância linguística aumentou 82% de 2016 a 2018, desse modo, a ajuda do Estado é crucial para a resolução do problema, como já afirmava o filósofo iluminista Immanuel Kant: “a população e o Estado devem cooperar juntos para superar os preconceitos que perpetuam na sociedade”.
Outrossim, o preconceito linguístico enraizado na sociedade brasileira desde o período colonial em 1530, em que os português menosprezavam os índios por conta de seu idioma julgado “primitivo” e impuseram a força sua língua, ainda deixa marcas atualmente, pois devido a esse legado histórico muitos brasileiros, inclusive o próprio poder público, julgam erroneamente comum reprimir as variações na língua, impossibilitando a diversidade linguística no país e agravando o preconceito.
Portanto, cabe ao Congresso Nacional a elaboração de leis específicas contra o preconceito linguístico visando punir os casos de preconceito e ao Ministério público a criação de centros de denúncia para que a população possa contribuir no combate à problemática. Além disso, é fundamental que os professores da rede de ensino público ensinem desde cedo os alunos a conviverem com as variações da língua portuguesa e aprender sobre a importância da diversidade linguística, também é de extrema importância projetar campanhas de conscientização ensinando a população a respeitar a variação linguística do Brasil e alertando-a sobre as consequências do preconceito linguístico.