Preconceito Linguístico
Enviada em 23/10/2019
No poema “pronominais” de Oswald de Andrade, é possível perceber o contraste entre a norma culta e o Português falado pela maior parte da população. Dessa forma, surge o lastimável preconceito, que consiste em uma camada social ser depreciada pela uso de variações linguísticas. nesse sentido, pode-se atribuir esse fato, sobretudo, às heranças históricas da exclusão social e ao desconhecimento da relação entre língua a cultura a qual um povo está inserido.
Em primeira análise, há séculos o domínio da língua de um indivíduo está associado ao seu nível de prestígio social. Sob essa ótica, é possível observar na história do Brasil, diferentes formas de hegemonia relacionadas a fala. Como ilustração, a primeira forma de discriminação ocorreu já na colonização, visto que os idiomas e dialetos nativos não só foram ignorados, como houve o ostensivo empenho em ensinar-se o português mediante a postura etnocêntrica de dominação. Ademais, tal imposição estendeu-se ao longo da história a julgar pelos analfabetos ,os quais, por não saberem ler e escrever foram privados direito ao voto por mais de 100 anos. Assim, torna-se visível que preconceito é reflexo da construção histórica de uma classe social dominante que usa a diferença no grau de conhecimento das regras gramaticais como justificativa para a opressão.
Outrossim, outro ponto que deve ser considerado é que na análise de uma sociedade é possível observar uma relação entre o idioma e a sua cultura. Nesse viés,a linguagem é construída de forma dinâmica e pode variar entre seus diferentes grupos, o que figura o aspecto vivo e mutável ao longo do tempo. diante disso, o principal movimento que buscou romper com a perspectiva retrógrada e explorar riquezas do português brasileiro foi o Modernismo, o qual pela primeira vez abordou de forma verossímil as diversidades regionais além de romper a rigidez da gramática ao representar a linguagem coloquial e próxima da falta, fatores que levaram a duras críticas e alta repercussão na Semana da Arte Moderna em 1922. Logo, uma vez que a língua representa o contexto sociocultural de uma nação, é inaceitável a intolerância da sua multiplicidade, pois, em última análise, não se trata do preconceito ao modo de falar, mas da marginalização de um grupo social.
Desse modo, é imprescindível que o preconceito diante da pluralidade linguística retratada por Oswald de Andrade seja combatido. Para tanto, a escola deve ser responsável em tornar os alunos conhecedores da importância de respeitar todas as formas de variação linguística, por meio de seminários, debates e projetos em sala que proporcionem o ensino efetivo não só da gramática, como também do aspecto social da linguagem através do estudo da linguística. Com isso, a longo prazo, os indivíduos serão capazes de compreender que toda forma de comunicação deve ser respeitada.