Preconceito Linguístico

Enviada em 23/10/2019

O Brasil é um país de dimensões continentais e que fora formado pela miscigenação de povos indígenas, africanos e europeus. Nesse sentido, é mais que lógico compreender a riqueza da diversidade linguística presente no país. Entretanto, apesar da língua ser uma ferramenta dinâmica e subordinada a vários contextos (social, cultural, regional, histórico etc.), ainda persistem, no Brasil, situações discriminatórias. Resta, então, saber como enfrentar tal problemática.

Em primeira análise, é importante entender o preconceito linguístico como um uma variante do preconceito social. Isso se evidencia, principalmente, pelo fato de que as principais vítimas são, na maior parte dos casos, pessoas de classes sociais mais baixas, como moradores de áreas periféricas, por exemplo. Por conseguinte, as classes mais favorecidas, que possuem amplo acesso à educação e, assim, á normal culta padrão da língua portuguesa, aprendem nas escolas que esse é o único português correto. Consequentemente, os diversos outros falares, diferentes do que as normas gramaticais ensinam, são marginalizados e oprimidos. Sob esse viés, pode-se citar o exemplo do médico paulista que, em 2016, ficou conhecido por ter feito chacota de seus pacientes que, ao invés de falarem pneumonia e raio-x, falavam “´peleumonia” e “raôxis”, o que causou revolta de parte da sociedade.

Nessa conjuntura, entende-se que os agentes fomentadores do preconceito linguístico são as escolas e a mídia. Com efeito, as escolas se eximem de ensinar a plasticidade da língua e a adequação da variedade linguística ao contexto comunicativo. Outrossim, a mídia, como instituição formadora de opinião, valida o preconceito ao construir personagens estereotipados pelo modo de falar. Destarte, o preconceito com os diferentes modo de se expressar são mantidos, ferindo a dignidade das pessoas no que tange o direito dese expressarem e intensificando, assim, a desigualdade social já existente no País.

Depreende-se, portanto, que o preconceito linguístico se configura como um problema social e, por isso, deve ser combatido. Para tanto, o Ministério da educação deve propor uma mudança na grade curricular de ensino das escolas, para que seja ensinado, nas aulas de português, as diversas variedades linguísticas e aplicabilidade de cada uma aos diferentes momentos de fala, estimulando nos estudantes, o respeito pelos diversos falares. Além disso, a mídia deve respeitar a variedade linguística brasileira por meio de campanhas publicitárias de conscientização, além do emprego da diversidade entre os funcionários do meio, abolindo a criação de estereótipos em séries e novelas, por exemplo. Só assim, será possível construir uma nação de respeito e orgulho em relação a diversidade.