Preconceito Linguístico
Enviada em 24/10/2019
A metamorfose ambulante
No livro “O Povo Brasileiro”, o antropólogo Darcy Ribeiro demonstra que a nação brasileira foi formada a partir da fusão de várias culturas e povos distintos. Essa mistura impactou até mesmo na língua utilizada no país, o português, o qual sofre variações de acordo com a região da federação. Entretanto, o que deveria ser visto como uma riqueza nacional acaba por se tornar motivo de deboche e intolerância, fazendo surgir o preconceito linguístico.
Primeiramente, é necessário entender que a repressão linguística tornou-se algo banal perante à sociedade. Infelizmente, piadas e brincadeiras de mau gosto sobre um determinado modo de falar são recorrentes em rodas de conversa. Além disso, a mídia - grande influenciadora social - contribui com esse processo ao ridicularizar figuras de diversas regiões do Brasil, como visto no início dos anos 2000 no programa “Zorra Total”, com o personagem “Nerson da Capitinga”.
Em segunda análise, assim como outras formas de intolerância, o preconceito linguístico afeta a vítima, tonando-se uma tortura moral. O indivíduo desenvolve receio de interagir e se isola - o que pode levar a doenças como depressão - já que seu direito de expressão é rejeitado por aqueles que o cercam. Tal fato é inaceitável pois contraria a Constituição Federal de 1988, a qual afirma que todo cidadão possui liberdade para se expressar e não deve ser submetido a nenhum tipo de injúria por fazê-lo.
Logo, fica evidente que a problemática deve ser solucionada em prol do bem-estar social. Para mudar a situação, é necessário que os grandes veículos midiáticos divulguem conteúdos, como programas televisivos e postagens em redes sociais, que desconstruam esteriótipos e mostrem de forma positiva a flexibilização da língua portuguesa, a fim de gerar uma nova consciência social. Assim, a população aprenderá a respeitar e apreciar as diferentes facetas da linguagem.