Preconceito Linguístico
Enviada em 25/10/2019
Os primeiros hominídeos faziam o uso de grunhidos para comunicar-se. Com a evolução biológica e cultura, desenvolveram-se a fonética e, posteriormente, a escrita, ambas baseadas nas necessidades de comunicação do homem. No entanto, atualmente, a língua desfigurou-se da função primária, sendo utilizada como ferramenta fomentadora de desigualdade. Assim, não é aceitável que o preconceito linguístico continue sendo tratado com descaso.
A priori, é necessário esclarecer que o assédio linguístico é incondizente com a história do idioma lusitano, o qual deriva do latim. Portanto, negar qualquer variação linguística é uma tentativa frustrada e purista de negar o fato de a língua ser viva e passiva de mudanças. Portanto, qualquer preconceito nesse âmbito, configura uma afronta à história da língua.
A posteriori, Bechara, membro emérito da Academia Brasileira de Letras, defende que todo indivíduo deve ser poliglota dentro de seu próprio idioma, ou seja, deve-se priorizar a adequação da linguagem à situação. Nesse contexto, quando ocorre a ausência de tal entendimento, a língua é usada como artifício de segregação social e, por isso, é imprescindível que as autoridades busquem medidas para atenuar o problema.
Impende, portanto, que o preconceito linguístico seja encarado como um ponto que requer atenção. Cabe ao MEC a reformulação da disciplina de Língua Portuguesa, a qual não deve apenas se ater na gramática, mas também nas diferentes variantes, visando desconstruir a imagem etnocentrista da regra padrão. Com o mesmo objetivo, a mídia deve criar propagandas, as quais demonstrem as diferentes formas de falar e escrever. Dessa forma, a sociedade irá tornar-se poliglota dentro do próprio idioma.