Preconceito Linguístico
Enviada em 25/10/2019
Na obra “Preconceito linguístico: o que é, como se faz”, Marcos Bagno segue uma linha argumentativa descrevendo que não há maneira certa de se comunicar, uma vez que a língua é completamente flexível e mutável, considerando ultrapassada a concepção de que o português correto é aquele baseado na gramática formal e normativa. Porém, na contemporaneidade, o preconceito linguístico é um grande problema para a sociedade brasileira, pois o padrão imposto por uma elite econômica e intelectual de existir apenas um modo certo ou errado de falar, acaba gerando a acentuação dos demais preconceitos a ele relacionados, como no socioeconômico.
Primeiramente, vale ressaltar que a cultura do Brasil é fruto da miscigenação de diferentes grupos étnicos que participaram da sua formação, resultando um país diversificado com muitas variantes de região para região, que não devem ser menosprezadas por possuírem caracteres singulares. Dessa forma, seguindo o raciocínio de Bagno, que a linguagem está em constante transformação, é prescindível exigir que haja uma homogeneidade no modo de falar, uma vez que a própria extensão do país é decorrente dessa discrepância cultural. Logo, é de suma importância a conscientização e educação sobre essa comparação indevida do modelo idealizado com a maneira como as pessoas realmente se comunicam.
Outro ponto fundamental a ser analisado, é o impacto desse preconceito linguístico no aumento da marginalização de pessoas de zonas e classes sociais mais pobres, pelo fato de terem acesso limitado à educação e cultura, dominando apenas as variedades linguísticas informais e de menor prestígio. Um exemplo disso, é o julgamento depreciativo sofrido pelos indivíduos de regiões como o Nordeste e Centro-Oeste brasileiro em grandes centros populacionais, rotulados como “nordestinos analfabetos” e “goianos caipiras”, Nesse sentido, cabe reforçar a ideia de Bagno ao dizer que muitos usam a língua como ferramenta de dominação, visto que o desconhecimento da norma-padrão, de acordo com essas pessoas, representaria um baixo nível de qualificação profissional.
Fica claro, portanto, que para combater esse preconceito linguístico, urge que as instituições educacionais, fomentem a discussão por meio de debates sobre a pluralidade e diversidade cultural do Brasil, a fim de quebrar os mitos que cercam a fala “correta” da língua e mostrar a riqueza e importância da variedade linguística na construção de uma sociedade. Ademais, é fundamental que o sistema midiático invista em campanhas que ajudem a atenuar essa problemática, uma vez que possui poder formador de opinião, com o intuito de desconstruir essa barreira da exclusão social.