Preconceito Linguístico
Enviada em 26/10/2019
No poema Pronominais, do modernista Oswald de Andrade, é nítido a crítica do autor acerca do processo de colocação pronominal exigida pela gramática normativa. Esse contexto apresenta-se como um exemplo do preconceito linguístico, fenômeno que tem efeitos maléficos na sociedade brasileira. Sob esse viés, a valorização da norma culta e a negação da diversidade de dialetos corroboram a discriminação linguística. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados com o escopo de modificar essa adversa conjuntura.
Inicialmente, é válido destacar o pensamento do sociólogo Michael Foucault, o qual afirma que na sociedade existem estruturas de poder que dominam e delimitam as atividades dos cidadãos. Essa situação, é perceptível no âmbito linguístico, na medida em que a norma culta é imposta nas escolas por meio de aulas gramaticais, as quais destoam da linguagem corriqueira da maioria dos indivíduos. Por conseguinte, presente também na obra de Oswald de Andrade, a depreciação e o preconceito do falar popular atinge, sobretudo, as pessoas iletradas, o que se configura, inclusive, como uma forma de exclusão social.
Outrossim, ressalta-se o termo “violência simbólica”, do sociólogo francês Pierre Bourdieu. Consoante tal pensador, na sociedade existe uma valorização de determinada cultura em detrimento de outras. Nesse sentido, mesmo diante do caráter multicultural brasileiro, é notório o preconceito para com o sotaque nordestino, associado a pessoas que não sabem falar “corretamente”, e o prestígio do dialeto sulista que é intensificado, principalmente, nos conteúdos televisivos. Com isso, verifica-se a construção deturpada de uma linguagem que vai de encontro ao conceito de diversidade e de unidade nacional.
Destarte, é essencial alterar esse alarmante cenário brasileiro. Para tanto, é imprescindível que as escolas ampliem o entendimento acerca da norma culta e do seu papel na língua portuguesa, por meio de aulas temáticas, as quais evidenciem também a importância e o valor do falar popular, com o fito de minimizar os efeitos do preconceito linguístico na sociedade. Concomitantemente, é impreterível que as mídias de amplo alcance enfatizem a variedade de dialetos como algo positivo para a cultura popular, a fim de quebrar estigmas e discriminações existentes entre as regiões do Brasil.