Preconceito Linguístico

Enviada em 30/10/2019

Segundo o sociológo Émile Durkheim, a consciência coletiva é um sistema de regras e tradições que exercem pressão sobre o ser humano de maneira a influenciar seu comportamento. Nesse sentido, há a criação de um certa homogenização daquilo que é determinado como certo ou errado, um padrão a ser seguido pelas pessoas. Essa padronização torna-se danosa na medida em que a sociedade brasileira é diversificada tanto em costumes quanto no modo de falar. Dessa forma, é necessário discutir sobre como as causas e as consequências do preconceito línguistico influenciam na perda da identidade e multiplicidade cultural.

Em primeiro lugar, é evidente que no cenário brasileiro sempre esteve presente o etnocentrismo cultural. Desde o processo de colonização, os portugueses já caracterizavam seu idioma como mais culto e evoluído do que as línguas índigenas. Apesar de terem se passado séculos, ainda hoje há heranças da tendência das pessoas praticarem o preconceito línguistico. Dessa forma, humilhar ou rir de quem fala com sotaque e de maneira “diferente” torna-se um ato comum de muitos brasileiros. Fato que é extremamente maléfico, visto que quando a gramática normativa é colocada como o “padrão correto”, toda a variedade línguistica e riqueza vocabular do país acaba por ser descartada, o que ocasiona uma enorme perda cultural.

Além disso, cabe destacar que a padronização da linguagem não tem coerência, já que em certa medida nenhum modo de falar é correto se for considerar a miscigenação línguistica. Nesse sentido, é incontestável a necessidade de normas gramaticais e o seu emprego em contextos formais para facilitar a comunicação. Entretanto, na coloquialidade é dispensável exigir que as pessoas se expressem segundo determinado padrão, já que a formação línguistica ocorreu através da união de vocábulos portugueses, indigenas, africanos e de muitas outras nações que participaram da formação da população brasileira. Desse modo, é importante diferenciar a gramática normativa da linguagem utilizada no dia a dia pelos indivíduos.

Urge, portanto, que ações sejam realizadas para combater o preconceito línguistico. Cabe ao Ministério da Educação, em associação com o de Cultura, elaborar projetos nas escolas para enriquecer o conhecimento dos jovens sobre o vocabulário nacional. Por meio de atividades lúdicas e eventos de exposição da variedade línguistica e cultural presente no Brasil, que promovam um olhar mais respeitoso das crianças sobre a diversidade e as diferenças de cada um. Assim, a consciência coletiva exerça uma pressão positiva no desenvolvimento humano.