Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2019
Após a semana de Arte Moderna, em 1922, a linguagem popular adentrou o meio artístico, ao valorizar a língua coloquial, livre de regras gramaticais. Entretanto, mesmo com essa mudança, atualmente, no Brasil ainda existe o preconceito linguístico como problema a ser enfrentado por uma grande parte da população, uma vez que pessoas mais qualificadas na linguagem culta e favorecidas socialmente acham-se no poder de desfavorecer a língua coloquial de grupos sociais. Além desse fato, a falta de conhecimento de muitos acaba, também, a favorecer esse assédio. Dessa forma, portanto, vê-se que esse óbice é maior frequente pela carência da abordagem do tema nas escolas brasileiras, como também por ausência de empatia social.
É válido destacar, em primeira análise, que nas terras tupiniquins há uma grande variabilidade linguística, pois sabe-se que foi colonizada por pessoas de diferentes localidades do mundo. Assim, além do vasto sotaque das diferentes regiões do país, ainda há aqueles grupos que se diferenciam do restante dos indivíduos de determinado local, como é o caso das pessoas que não possuem um conhecimento essencial da norma culta da língua portuguesa, no qual isso, inclusive, contribui para o assédio citado. Por conseguinte, esse fato acaba por acarretar em uma exclusão social dessa população desfavorecida pelo modo de falar.
Outrossim, é importante enfatizar o que afirmou Augusto Cury, que a discriminação delonga horas para ser construída, porém séculos para ser destruída. Nessa perspectiva, cabe o entendimento de que muitas vezes a discriminação linguística advêm de pessoas com um grau maior do aprendizado da linguagem, em que sentem-se no poder de inferiorizar aquelas pessoas sem um mesmo patamar de conteúdo do idioma. Nesse viés, cabe o exemplo do médico, do estado de São Paulo, que debochou do paciente que não sabia falar corretamente o nome da doença, de acordo com o site do G1. Consequentemente, essa humilhação, como uma falta de empatia da sociedade, proferida por pessoas com um nível de escolaridade maior, provoca o aumento, cada vez mais, do preconceito linguístico.
Dessa forma, entende-se, portanto, que existe uma falta de ética social diante da grande versatilidade da língua portuguesa no Brasil. Por isso, é necessário que o Estado, por meio da Secretaria da Educação, promova nas escolas uma educação voltada ao entendimento de que toda forma de falar é aceita no território brasileiro, destinada a todos os alunos, por intermédio de atividades educativas que abrange esse conhecimento, como jogos didáticos das matérias de história e português, já que essa variabilidade é decorrente desde a colonização. Além disso, é ideal uma empatia dos indivíduos sobre o assunto. À vista disso, ocorrerá, na sociedade, o que aconteceu na semana de Arte Moderna de 1922.