Preconceito Linguístico

Enviada em 30/10/2019

O filme brasileiro Lisbela e o prisioneiro, lançado em 2003, retrata o preconceito linguístico quando o personagem Douglas, noivo de Lisbela, tenta disfarçar o sotaque nordestino, falando de um modo carioca, para manter um status social. Sob tal óptica, é evidente que há socialmente a inferioridade de algumas forma de dialetos sobre outros, logo, é essencial o combate ao preconceito linguístico tanto pela linguagem ser uma necessidade de comunicação quanto pela constante renovação da língua.

Em primeiro plano, a linguagem apresenta-se como uma via fundamental para na comunicação dos indivíduos e nas relações sociais. De acordo com Ludwig Von, filósofo austríaco, as palavras criam imagens dos fatos, consoante a esse pensamento, é perceptível que a linguagem é importante para os vínculos sociais e o entendimento de mundo. Logo, a linguagem não deve ser julgada pela forma de falar ou pelos os sotaques, visto que, esses são derivações regionais e não devem ser desprezados, uma vez que, a criação de tal indiferença pode afetar, significativamente, o modo de apropriação social dos indivíduos levando ao preconceito.

Outrossim, a constante renovação da língua é moldada pela própria sociedade e seus grupos sociais, assim, revela a diversidade de expressões, sotaques e dialetos presentes na língua portuguesa. Segundo o escritor Marcos Bagno, em seu livro Preconceito Linguístico: o que é, como se faz, a língua é metaforicamente um rio largo e corrente enquanto a gramática limita-se ao igapó, poça de água parada. Dessa maneira, seguindo a metáfora afirmada por Bagno, é indiscutível que a língua, forma de comunicação, não deve ser julgada pela linguagem formal, como ocorre no preconceito linguístico, dado que a língua abrange uma maior diversidade cultural e história de cada região do país.

Portanto, conclui-se que é dever das Universidade Federais, em especial o curso de letras, a criação de pesquisas que evidenciem as práticas de preconceito linguístico no país, por meio de bolsas de pesquisas com duração média de 6 meses, a fim de demonstrar o panorama atual da temática. Além disso, cabe ao Ministério da Educação (MEC) a realização de campanhas no meio escolar, por intermédio de profissionais linguistas, para orientar as instituições escolares sobre o combate ao esse tipo de preconceito. Desse modo, tal ações são fundamentais para moldar o entendimento de cidadãos como o personagem Douglas do filme.